Notícias
Publicado: 16/10/2017 | 08:57
Artigo: Reforma e alternativas
"A nossa tributação sobre o consumo é regressiva, ou seja, incide proporcionalmente mais sobre as famílias de baixa renda. De outro lado, o Imposto de Renda tem benefícios que favorecem o topo da pirâmide. Assim, as classes de renda baixa e média são as que mais pagam impostos, considerando que boa parte dos seus ganhos, sujeitos ao imposto retido na fonte, são oriundos do trabalho e dirigidos ao consumo"

Jorge Ritter de Abreu - Diretor de Assuntos Técnicos do Sindifisco-RS
A nossa tributação sobre o consumo é regressiva, ou seja, incide proporcionalmente mais sobre as famílias de baixa renda. De outro lado, o Imposto de Renda tem benefícios que favorecem o topo da pirâmide. Assim, as classes de renda baixa e média são as que mais pagam impostos, considerando que boa parte dos seus ganhos, sujeitos ao imposto retido na fonte, são oriundos do trabalho e dirigidos ao consumo.
Na tributação indireta (IPI, PIS e COFINS, CIDE, ICMS e ISS), as famílias mais pobres pagam proporcionalmente mais, pois gastam quase tudo o que ganham no consumo. Na tributação direta sobre a renda, citamos duas distorções: a isenção dos dividendos e a tributação exclusiva de 15% dos Juros Sobre o Capital Próprio (JSCP).
Não fosse exclusiva, cairia na tabela do Imposto de Renda que vai até 27,5%. Assim sendo, as famílias de renda mais elevada têm maior parcela de seus ganhos compostos por lucros isentos, por dividendos não tributados e por JSCP. Segundo dados do Relatório da Distribuição de Renda e da Riqueza da População Brasileira, com dados do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2014/2015, acessível no site do Ministério da Fazenda, em média, o 1% mais rico da população acumula 14% de toda a renda declarada no Brasil. Relatório recente da Oxfam informa que os seis maiores bilionários brasileiros detêm a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres. A desigualdade, insculpida na lei tributária, é o problema que está na raiz dos demais.
Não adianta agir apenas sobre os sintomas. Um exemplo é a Cracolândia. A ação sobre o sintoma só fez ele mudar de lugar. Por solidariedade, nosso sistema tributário deve ser corrigido. A melhoria na distribuição da renda, por meio de uma tributação mais justa, pode colocar um freio na escalada da concentração. Essa escalada sacrifica o consumo das famílias, trava o motor da economia e traz uma gama de problemas que se refletem no fraco desempenho da arrecadação pública, no desemprego, na insegurança e no ciclo de degradação social que estamos vivenciando.
Fonte: Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital - Fenafisco. Artigo originalmente publicado no jornal Correio do Povo
Compartilhe essa notícia
Mais lidas dos últimos 30 dias
01
CSPB participa de reunião extraordinária do Instituto Servir Brasil e reforça unidade pela aprovação do PL 1893/2026 (5836 views • 07/07/2026)
02
CSPB intensifica articulação pelo consenso e defende aprovação do PL 1893/2026 ainda neste ano (5574 views • 31/07/2026)
03
CSPB intensifica articulação para construir consenso e viabilizar aprovação da negociação coletiva no serviço público (5524 views • 10/07/2026)
04
CSPB repudia perseguição a dirigentes sindicais e anuncia reação política e jurídica em defesa da liberdade sindical (5052 views • 15/07/2026)
05
Nota Técnica do MPT fortalece atuação dos sindicatos na fiscalização de contratos terceirizados (4898 views • 21/07/2026)
06
CSPB lança ‘Carta de Compromisso 2026’ para pautar a defesa do serviço público nas eleições (4880 views • 09/07/2026)
07
CSPB amplia articulação política e convoca servidores para audiência pública decisiva sobre a negociação coletiva no serviço público (4805 views • 23/07/2026)
08
CSPB reforça articulação por consenso para viabilizar aprovação do PL da Negociação Coletiva (4781 views • 08/07/2026)
09
João Domingos participa de audiência pública que debaterá a aplicação da Lei do Descongela em todo o país (4329 views • 29/07/2026)
10