Destaques, Notícias Publicado: 26/06/2017 | 19:22

Discurso de abertura de José Calixto Ramos

"Temos uma grande responsabilidade junto ao povo brasileiro e aos nossos representados".



Neste congresso, além das deliberações para o próximo quadriênio, vamos debater formas de lutas para a autorregulação da organização sindical brasileira, impedir a retirada de direitos e barrar a aprovação, no Congresso Nacional, das reformas Trabalhista e Previdenciária.
 
Estas reformas visam impor um fim às legislações de proteção do trabalho, destruindo a espinha dorsal dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras do País, sendo o primeiro e principal passo para o sucateamento da CLT, enfraquecendo a democracia e nossa Constituição Federal.
 
As condições como essas reformas foram colocadas pelo Executivo e ampliadas pelo Legislativo, sem nenhum diálogo com entidades de representação sindical e popular, demonstram a intransigência de um governo e um Congresso que se distanciam dos seus eleitores e não ouvem a voz das ruas -- refletindo em uma rejeição recorde da Presidência e na descredibilidade das duas casas junto à população, de acordo com recentes pesquisas de opinião. O que nos remete à responsabilidade de termos a consciência e de conhecer bem nossos representantes nas próximas eleições de 2018. É preciso que nossos parlamentares e governantes, em sua ampla maioria, se sensibilizem e mudem seus posicionamentos, revertendo esse quadro negativo.    
 
É necessário frisar que neste grave momento, onde batemos a trágica marca de mais de 14 milhões de desempregados no Brasil, apresentar reformas desestruturantes é uma atitude brutal e de total insensibilidade com a população. É uma forma de se aproveitar da situação de fragilidade para eliminar conquistas da sociedade.
 
Enfatizo também que nesta época de recorrentes retiradas de direitos, as entidades sindicais se apresentam como únicas instituições democráticas fora do eixo dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário capazes de fazer um embate contra esse acinte à classe trabalhadora. Por isso, nós, sindicalistas, somos paulatinamente minados pelo governo, que vê em nosso movimento um entrave para conseguir aprovar suas medidas retrógradas. 
 
O nosso IV Congresso, que reúne mais de mil sindicalistas de todas as regiões do País, terá grupos de discussão sobre o Mundo do Trabalho, Políticas Públicas, Sistema Político Nacional e Seguridade Social. Haverá também palestras com importantes referências do quadro sindical e trabalhista brasileiro.
 
Por este motivo, quero convocar todos os presentes neste evento de organização e discussão sindical para debatermos ideias e saídas tanto para a manutenção e defesa dos nosso direitos, quanto para esta crise institucional em que vive o Brasil. Temos uma grande responsabilidade junto ao povo brasileiro e aos nossos representados. Nesta semana, reavivaremos nossa luta e resistência, mobilizando trabalhadores e trabalhadoras contra as reformas, reafirmando os princípios da Nova Central, que jamais renunciará as conquistas da classe trabalhadora.
 
Afinal, esta é a central que defende a classe trabalhadora!