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Publicado: 18/11/2015 | 08:31
ARTIGO: Abandono do serviço público transformou Paris em vítima e incubadora do terrorismo
Os políticos franceses adotaram um jeito de governar amigável ao livre-mercado e inimigo do serviço público universal. Com o propósito de reduzir os investimentos públicos, os governantes cortaram serviços na área da saúde, educação, cultura, habitação, capacitação profissional e assistência social.
Com a arrogância e brutalidade, os políticos franceses adotaram um jeito de governar amigável ao livre-mercado e inimigo do serviço público universal. Com o propósito de reduzir os investimentos públicos, sucessivos governantes franceses cortaram serviços na área da saúde, educação, cultura, habitação, capacitação profissional e assistência social.

por Wagner de Souza Rodrigues
[email protected]
Na Paris dos grandes boulevards, perto da Praça da Bastilha e da Champs-Élysées, rajadas de tiros, explosões e gritos anunciam vingança e morte. Centenas de pessoas inocentes, tristemente, sofreram e morreram em consequência da equivocada política externa e interna de sucessivos governos da França. É claro que uma violência não justifica a outra, mas no plano político interno, a elite da política na França dá a nítida sensação de que a Paris rica e moderna foi desenhado por eles, para proveito próprio. E outra e populosa Paris foi entregue a miséria, ao analfabetismo, à condições de saúde precárias, ao crime e ao fanatismo religioso.
A presença heroica de servidores públicos não permitia que uma distância psicológica insuperável surgisse entre a vida de cartão postal da Champs-Élyséese e a realidade não fotografada nas comunidades empobrecidas dos subúrbios de Paris. Mas, o avanço dos governos neoliberais provocou um imenso recuo das políticas públicas e sociais, diminuindo em tamanho e em papel a presença dos servidores e tornando Paris uma cidade dividida entre ricos e pobres.
Com o propósito de reduzir os investimentos públicos, sucessivos governantes franceses cortaram serviços na área da saúde, educação, cultura, habitação, capacitação profissional e assistência social, diminuindo o papel do Estado, abandonando milhares de famílias e jovens em precários arranjos habitacionais, oprimidos pela violência, em meio ao desemprego, ao crime e ao profundo isolamento da cultura francesa mais ampla.
Com o serviço público atacado, a cidade berço da democracia moderna tornou-se a cidade da exceção. Com a arrogância e brutalidade, os políticos franceses adotaram um jeito de governar amigável ao livre-mercado e inimigo do serviço público universal. A revolução de 1789 foi, novamente, traída.
A linda Paris passou a ser monopólio de quem tem o capital na mão. O espaço urbano permaneceu refém dos interesses do capital turístico, comercial e imobiliário. Os restaurantes se tornaram cenários para concertos e vários eventos, e a grande oferta de bares e salas de espetáculos não são para a grande maioria de pobres, jovens e desempregados de Paris.
Os pobres foram expulsos para a periferia da periferia da periferia. Com o acesso ao serviço público retirado, sem dinheiro, sem emprego e sem transporte coletivo, milhares de famílias passaram a viver na cidade da exceção, presos a problemas de favelização, informalidade, desigualdades, abandono e violência. Quando retirou e diminuiu a presença do serviço público na periferia, o próprio governo francês transformou os bairros populosos de Paris em incubadoras do terrorismo.
Tenho confiança nos rumos externos e na defesa do nosso país. Afinal, o Brasil nunca foi uma nação obcecada em sair por aí enviando armas e homens para os quatro cantos do globo, destacando agentes secretos por todo o planeta, jogando bombas em cidades de outros países ou fazendo alianças com grupos estranhos a democracia. Os países que fazem isso sempre acabam pagando algum preço. Infelizmente, pagam com a vida de inocentes.
No entanto, tenho a preocupação de que a realidade de realidade violenta e sem perspectivas de bairros abandonados não é monopólio de Paris. A desvalorização e o recuo na oferta de serviços públicos cria aqui também um ambiente de exclusão, de miséria, de abandono, que vai pouco a pouco minando a capacidade do indivíduo de sonhar, de querer fazer as coisas. Garantir serviços públicos robustos e valorizados é garantir a milhares de famílias uma perspectiva de futuro e um acolhimento e conforto no presente.
* Wagner de Souza Rodrigues é Vice Presidente da União Internacional Sindical (UIS) – Serviços Públicos (Trade Union Internacional), diretor nacional da CSPB - Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, Presidente da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Públicos Municipais do Estado de São Paulo (FTM-SP) e Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis.

por Wagner de Souza Rodrigues
[email protected]
Na Paris dos grandes boulevards, perto da Praça da Bastilha e da Champs-Élysées, rajadas de tiros, explosões e gritos anunciam vingança e morte. Centenas de pessoas inocentes, tristemente, sofreram e morreram em consequência da equivocada política externa e interna de sucessivos governos da França. É claro que uma violência não justifica a outra, mas no plano político interno, a elite da política na França dá a nítida sensação de que a Paris rica e moderna foi desenhado por eles, para proveito próprio. E outra e populosa Paris foi entregue a miséria, ao analfabetismo, à condições de saúde precárias, ao crime e ao fanatismo religioso.
A presença heroica de servidores públicos não permitia que uma distância psicológica insuperável surgisse entre a vida de cartão postal da Champs-Élyséese e a realidade não fotografada nas comunidades empobrecidas dos subúrbios de Paris. Mas, o avanço dos governos neoliberais provocou um imenso recuo das políticas públicas e sociais, diminuindo em tamanho e em papel a presença dos servidores e tornando Paris uma cidade dividida entre ricos e pobres.
Com o propósito de reduzir os investimentos públicos, sucessivos governantes franceses cortaram serviços na área da saúde, educação, cultura, habitação, capacitação profissional e assistência social, diminuindo o papel do Estado, abandonando milhares de famílias e jovens em precários arranjos habitacionais, oprimidos pela violência, em meio ao desemprego, ao crime e ao profundo isolamento da cultura francesa mais ampla.
Com o serviço público atacado, a cidade berço da democracia moderna tornou-se a cidade da exceção. Com a arrogância e brutalidade, os políticos franceses adotaram um jeito de governar amigável ao livre-mercado e inimigo do serviço público universal. A revolução de 1789 foi, novamente, traída.
A linda Paris passou a ser monopólio de quem tem o capital na mão. O espaço urbano permaneceu refém dos interesses do capital turístico, comercial e imobiliário. Os restaurantes se tornaram cenários para concertos e vários eventos, e a grande oferta de bares e salas de espetáculos não são para a grande maioria de pobres, jovens e desempregados de Paris.
Os pobres foram expulsos para a periferia da periferia da periferia. Com o acesso ao serviço público retirado, sem dinheiro, sem emprego e sem transporte coletivo, milhares de famílias passaram a viver na cidade da exceção, presos a problemas de favelização, informalidade, desigualdades, abandono e violência. Quando retirou e diminuiu a presença do serviço público na periferia, o próprio governo francês transformou os bairros populosos de Paris em incubadoras do terrorismo.
Tenho confiança nos rumos externos e na defesa do nosso país. Afinal, o Brasil nunca foi uma nação obcecada em sair por aí enviando armas e homens para os quatro cantos do globo, destacando agentes secretos por todo o planeta, jogando bombas em cidades de outros países ou fazendo alianças com grupos estranhos a democracia. Os países que fazem isso sempre acabam pagando algum preço. Infelizmente, pagam com a vida de inocentes.
No entanto, tenho a preocupação de que a realidade de realidade violenta e sem perspectivas de bairros abandonados não é monopólio de Paris. A desvalorização e o recuo na oferta de serviços públicos cria aqui também um ambiente de exclusão, de miséria, de abandono, que vai pouco a pouco minando a capacidade do indivíduo de sonhar, de querer fazer as coisas. Garantir serviços públicos robustos e valorizados é garantir a milhares de famílias uma perspectiva de futuro e um acolhimento e conforto no presente.
* Wagner de Souza Rodrigues é Vice Presidente da União Internacional Sindical (UIS) – Serviços Públicos (Trade Union Internacional), diretor nacional da CSPB - Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, Presidente da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Públicos Municipais do Estado de São Paulo (FTM-SP) e Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis.
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