Destaques, Notícias Publicado: 15/09/2015 | 18:54

Em tempo real: CSPB reúne dirigentes sindicais para discutir anúncio de Cortes no Orçamento de 2016

Desta reunião, poderá, inclusive, ser deliberada greve geral de categorias dos servidores públicos federais.





por Grace Maciel

O presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil- CSPB, João Domingos Gomes dos Santos, reúne, " emergencialmente", nesta terça-feira (15), diretores, e dirigentes de entidades representativas de servidores públicos federais, filiadas à entidade, para discutir decisão do governo sobre cortes para o Orçamento 2016, entre eles, o reajuste salarial de servidores federais.


De acordo com João Domingos, desta reunião poderá, inclusive, sair decisão de, em um curto prazo, uma greve geral no serviço público.


Em entrevista à Rede Globo,  na manhã desta terça, o presidente da CSPB não poupou palavras. O líder sindical disse que caso as negociações não prosperem e o Planejamento não reabra o diálogo, o movimento sindical partirá para o Congresso Nacional onde o ambiente, segundo Domingos,  parece mais propício para reverter essas decisões, que segundo ele, foram tomadas “unilateralmente”.

Entre as principais medidas anunciadas estão o congelamento de reajuste para servidores, suspensão de concursos públicos e economia de gastos na saúde.

A intenção, segundo o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy,  é economizar R$ 26 bilhões dos cofres da União. Além disso, o Planalto quer recriar a CPMF. 

O congelamento de reajuste para os servidores públicos terá um impacto estimado de R$ 7 bilhões nas despesas da União. 


Acompanhe as declarações do presidente da CSPB à Rede Globo:





“As medidas anunciadas traçam um ambiente de colapso no serviço público, pois intoxica em definitivo o ambiente de negociação. A pauta não é só o reajuste, são pautas específicas, por Órgão, por categoria e nós fomos unilateralmente interrompido pelo governo. Mas se você conjuga isso com a outra medida do governo que proíbe que o servidor aposente e continue trabalhando no serviço público mediante uma gratificação específica, você retira quantidade de serviço público e prejudica a economia no próprio serviço público, pois um funcionário que ganhava uma gratificação terá de ser substituído por outro com salário inteiro, mas , principalmente, você perde em qualidade do serviço público, já que está sendo retirada experiência do próprio serv.  público. 

Isso você conjuga ainda com o cancelamento do concurso público, aí você estabelece sim um horizonte péssimo; não apenas para o servidor público, principalmente para o usuário desse serviço. O Brasil é hoje um dos países do mundo que oferece menor quantidade de serviço público. Se comparado aos países desenvolvidos [ em torno de 5% contra 18% nos países desenvolvidos]. Esse ambiente então vai piorar bastante. Portanto, esta decisão nós vamos tomar hoje; vislumbramos em um curto prazo um ambiente de greve geral  no serviço público.

Então, primeiro tentaremos reabrir o diálogo, que é o que está faltando. Se o governo consultar os servidores públicos, nós o ajudamos a conter até mais despesa do que ele propôs; mas mediante as medidas corretas. Não medidas simplistas como essa.

Caso não prospere e não reabra o diálogo, iremos ao Congresso Nacional onde o ambiente nos parece mais propício para reverter essas decisões”. 

De acordo com Domingos, a reação dos servidores ao tomarem ciência dessas decisões por parte do Governo, foi de extrema decepção; já que havia um ambiente favorável de negociação. “ O servidor já havia, inclusive, concordado de enviar a sua cota de sacrifício, aceitando um reajuste de 5,5% em janeiro de 2016, contra uma inflação de 2015 que hoje passa dos 10%. Então é um ambiente de decepção;  nos parece que o governo está muito mais preocupado em resolver seu problema fiscal que com o serviço público” 

“Isso eu repito que o principal afetado será a população. Nós fazemos esse apelo para que a população entenda que massacrar o servidor público agora é receber menos e de menor qualidade os serviços públicos”. Clama o presidente da CSPB.

Assista a entrevista na íntegra. Clique aqui

Grace Maciel
Secom/CSPB
com fotos de Júlio Fernandes