Destaques, Notícias Publicado: 26/08/2015 | 17:13

CSPB brinda participantes da Reunião da Diretoria Executiva e CR da com transmissão ao vivo da Secom e palestras do Diap e Dieese

Evento reúne mais de 90 diretores, em Luziânia-GO. A Secom/CSPB transmite ao vivo pelo portal da entidade.






por Valmir Ribeiro
edição de Grace Maciel

 
 


Foi dada a largada para a Reunião da Diretoria Executiva e do Conselho de Representantes- CR,  da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil – CSPB. Na cerimônia de abertura, transmitida ao vivo pelo site da entidade, mais de 90 diretores representantes de praticamente todas as unidades federativas do país, debateram as conquistas da confederação, bem como os novos rumos da entidade para os desafios contemporâneos. A entidade disponibilizou, também, palestra conduzida pelo diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – Diap, Antônio Augusto de Queiros, com o tema: “A maior crise do Brasil, suas consequências sociais e econômicas, e seus efeitos sobre os trabalhadores”. A palestra também contou com a participação, como debatedor, do técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese, Clovis Cherer.
 
Conduzida pelo presidente da CSPB, João Domingos Gomes dos Santos, a reunião iniciou-se com a exibição, em primeira mão aos participantes, do vídeo institucional em comemoração aos 57 anos da entidade, uma produção da Secom. Vídeo, este, que será exibido na próxima sexta-feira (28) na sessão solene no Plenário do Senado Federal em homenagem à confederação.



 
Domingos iniciou seu discurso rememorando a história da CSPB, bem como as inúmeras conquistas da entidade, sobretudo, em tempos de crise. “Nossa entidade se fortalece na proporção dos desafios que ela enfrenta. Quanto maior o desafio, maior a dimensão do nosso crescimento como entidade sindical. A CSPB surgiu numa crise, e se fortalece nessas circunstâncias”.
 
João reforçou que, diante da situação de uma crise que se caracteriza por uma “tempestade perfeita”, sobretudo por falta de capacidade política de reação, as entidades sindicais tornam-se a única resistência de grande capilaridade social na defesa dos interesses dos trabalhadores. Situação que, nestas circunstâncias, transformam os trabalhadores em alvos preferenciais de ajustes fiscais inspirados numa austeridade fiscal a ameaçar direitos e as condições financeiras e de trabalho daqueles que, definitivamente, são os grandes colaboradores do crescimento de qualquer nação que tenha ambições de tornar-se desenvolvida: os trabalhadores”.

O secretário-geral da CSPB, Lineu Mazano, apresentou informações sobre a pasta. Lineu, em seu discurso, alertou os participantes sobre o intenso crescimento das demandas da CSPB. Mazano reforçou a necessidade das entidades de base de se manterem atentas à todas as tentativas de terceirização do mercado de trabalho, tanto na esfera privada como na esfera pública. “O Supremo aprovou uma Adin que autoriza a contratação de serviços públicos caracterizados como sociais por ONG’s e OSIP’s. Isso, significa dizer que o estado pode terceirizar serviços essenciais como Saúde e Educação, livrando-se da responsabilidade constitucional de assumir essa responsabilidade”, alertou Mazano.
 
A segunda secretária da CSPB, Marly Bertolino, chamou a atenção da necessidade de estabelecer uma contrapartida das entidades filiadas no tocante à comunicação entre elas e a CSPB. “Precisamos aumentar a colaboração de vocês aos ofícios encaminhados pela CSPB. Não temos como medir a necessidade de nossas filiadas sem que estas apresentem suas dificuldades, soluções e demandas. Melhorando essa relação, estou certa de que potencializaremos nossas ações”, disse.
 
O diretor financeiro da CSPB, Fernando Borges, reforçou a necessidade de as entidades sindicais aumentarem sua representação política como meio de garantir maior capacidade de barganha de seus interesses junto aos poderes públicos constituídos. Borges também contou os desafios e a estratégia administrativa da CSPB com foco na manutenção da saúde financeira da entidade. “Há limites financeiros que precisam ser respeitados. A arrecadação deste ano exige maior cautela quanto ao controle das despesas. Tivemos a redução de 810 guias de recolhimento, algo que, em termos financeiros, representa mais de três milhões de reais a menos no orçamento da nossa confederação. Estamos, com todas essas dificuldades, equacionando os problemas de maneira criativa e superando-os, sim, com alguma austeridade. No entanto, viabilizamos essa responsabilidade fiscal sem comprometer as principais atividades da nossa entidade”, informou.
 
O diretor de Assuntos Legislativos da CSPB, João Paulo Ribeiro (JP), apresentou as conquistas e desafios da pasta. JP relatou que a CSPB, nos dias atuais, é a entidade sindical que mais consegue emplacar audiências públicas no Congresso Nacional. “Quero fazer reconhecimento à toda a equipe de comunicação da nossa entidade que, com poucos recursos, está realizando um belo trabalho e levando o nome da CSPB à todo país por meio da Jornada Nacional Contra a Terceirização, cobrindo debates sobre o tema nas Assembleias Legislativas de todo o país.
 
A chefe de imprensa do departamento de comunicação, Grace Maciel, representou o diretor da pasta, Aldo Liberato, na apresentação do relatório, com números sobre a rotatividade das matérias e audiência do portal. Ambos com crescimento expressivo em que pese a redução dos quadros da Secretaria de Comunicação. “Nossa equipe consegue, a cada dia, mais respeito e visibilidade nacional. Isso está sendo possível graças ao empenho dos nossos quadros somados ao reconhecimento de uma diretoria que confia em nosso trabalho. Nossa missão é continuar nos esforçando para prestar o melhor serviço possível aos filiados da nossa entidade”, argumentou.
 
A diretora de Mulheres Infância e Juventude da CSPB, Cíntia Rangel, apresentou números que demonstram a profunda desigualdade de gênero e as diversas modalidades de violência a que as mulheres brasileiras são submetidas. “Na esfera política, a representação das mulheres, em nosso país, é inferior à participação política de mulheres que vivem em algumas nações tidas como extremamente conservadoras como, por exemplo, as muçulmanas. Talvez, dessa discrepância, surge o ambiente perfeito a restringir a liberdade e as conquistas das mulheres brasileiras. Diferença não tem nada a ver com desigualdade. É preciso reparar essa injustiça histórica que, infelizmente, insiste em nos rodear”, disse. Na ocasião de seu discurso, Cíntia apresentou um painel com informações sobre ações sindicais e políticas de combate à violência contra as mulheres.
 
O diretor de Assuntos do Mercosul, Wagner José de Souza, debateu as questões dos servidores públicos num ambiente de fortalecimento da lógica política neoliberal e de redução da intervenção do estado nas relações econômicas e de mercado. O dirigente sindical relatou algumas estratégias em curso que impedem o enfrentamento dessa realidade. “Nessa disputa política, os neoliberais se ancoram na despolitização; na naturalização do social; no culto ao setor privado e as críticas ao setor público; a destituição da memória e da história buscando a ressignificação de conceitos chaves como cidadania, autonomia, direito, solidariedade e democracia. Essa disputa ideológica está sendo vencida pelo capital e permitindo a aceitação passiva da perda de direitos fundamentais, tanto do trabalhador, quanto do cidadão comum”, alertou.
 
O diretor de Assuntos Internacionais da CSPB, Sérgio Arnould, elencou os trabalhos realizados pela entidade em fóruns internacionais. Ambiente onde a CSPB, a cada dia, conquista maior protagonismo. “União Europeia, Estados Unidos e Japão, estão buscando uma ação conjunta, de âmbito internacional, conhecido por Japão Tratado Internacional de Comércio de Serviço – TISA. Esta articulação vai sentido de ampliar a terceirização do mercado de trabalho e reduzir a intervenção estatal nas relações econômicas e de comércio, perseguindo um modelo de estado mínimo, ambiente perigosamente nocivo aos interesses da sociedade, dos trabalhadores e dos servidores públicos”, alertou.
 
Na esteira das discussões sobre o tema, João Domingos alertou que o TISA é, “de longe”, a maior ameaça do século. “É um modelo ultraliberal que ameaça a soberania dos países, bem como todas as conquistas sociais e trabalhistas das sociedades contemporâneas”, pontuou.
 
 

 



Serviço fotográfico de Júlio Fernandes

Secom/CSPB