Notícias nos Estados Publicado: 20/08/2015 | 08:06

RS: Movimento Unificado leva cerca de 50 mil às ruas e decreta greve de três dias

Nesta terça (18), mais de 40 categorias decidiram paralisar suas atividades por três dias, em uma assembleia geral unificada, no Largo Glênio Peres, na Capital. 



Nesta terça, mais de 40 categorias decidiram paralisar suas atividades por três dias, em uma assembleia geral unificada, no Largo Glênio Peres, na Capital. A ação considerada inédita foi resultado de quatro meses de articulações idealizadas pelos presidentes da Federação Sindical dos Servidores Públicos (Fessergs), Sérgio Arnoud, e do Cpers/Sindicato, Helenir Aguiar Schürer e demais entidades que compõem o Movimento unificado de Servidores, somando ao todo 43. Para construir a unidade, foram dezenas de reuniões, seminários e plenárias regionais realizadas desde abril.



Para Sérgio Arnoud a "terça-feira histórica" , que reuniu cerca de 50 mil pessoas no Largo Glênio Peres em Porto Alegre, começou com participação da abertura da assembleia do Cpers. Depois, participou de outras duas assembleias de sindicatos filiados à federação, Sisdaer (servidores do Daer) e Amapergs/Sindicato (agentes penitenciários – Susepe). No início da tarde, acompanhou — do alto de um carro de som — a caminhada de servidores da segurança rumo ao Largo Glênio Peres, onde ocorreu o ato conjunto. Na assembleia unificada, o dirigente avaliou a estratégia adotada pelas entidades.  "No início de abril, tomamos a decisão, que hoje se mostra acertada, de costurar essa unidade entre todos os segmentos do funcionalismo. Hoje, essa união faz lembrar o comício das Diretas. Nunca antes tivemos um público tão grande e tão participativo. Não vamos admitir o apequenamento do Estado", bradou, arrancando aplausos dos milhares de servidores. 

Ao final do movimento a coordenação do Movimento Unificado foi a Assembleia Legislativa do Estado entregou um documento ao vice-presidente da Casa, deputado Ronaldo Santini, reiterando os pontos da pauta de reivindicação conjunta. “Queremos que os parlamentares se posicionem a favor do funcionalismo e da população. Eles são decisivos para que a sociedade tenha mínimas condições de educação, saúde e segurança. Não podem se omitir e simplesmente aprovar o projeto do governo que quer retirar direitos dos servidores e penalizar à todos”, enfatizou Arnoud. 

O governador José Ivo Sartori declarou no início da noite que irá descontar os dias parados de cada servidor que faltar ao trabalho. Mas para o presidente da Fessergs, a promessa de corte de ponto dos trabalhadores que participarem da greve de três dias deve agravar os protestos: "Essa declaração poderá servir como combustível à mobilização de professores e servidores em geral. O governador que através do secretário da Casa Civil, Márcio Biolchi, disse que iria receber os servidores, mais uma vez faz um pronunciamento unilateral. Além disso, para que iriam nos receber se não há nenhuma proposta concreta de discussão que aponte para uma busca conjunta de soluções?", enfatizou.

Arnoud informou, ainda, que dentro dos interesses do RS e para viabilizar a manutenção dos vencimentos dos servidores, a Fessergs entrou por conta própria com ação judicial. "Ingressamos com mandado de segurança contra o bloqueio das contas, no Supremo Tribunal Federal (STF), já que o governador que deveria ser o representante não o faz", relatou.

Nesta quarta-feira o Movimento Unificado realiza reunião de avaliação e de definição de próximos atos. E reitera que se não houver pagamento integral no dia 31 uma nova paralisação será deflagrada, pois o estado de greve continua. “Não abrimos mão do pagamento sem parcelamento e nem da retirada dos projetos que ferem os direitos dos servidores”, afirmou Arnoud.


A seguir os principais motivos da greve e que constam no documento entregue à Assembleia Legislativa:


1. Parcelamento de salários: o parcelamento dos vencimentos de julho, que atingiu 47,2% do funcionalismo, foi o estopim das manifestações — que começaram até mesmo antes da confirmação da medida. Assim que os servidores confirmaram que receberam apenas R$ 2.150 dos seus vencimentos no fim do mês passado, foram iniciadas medidas como turno reduzido nas escolas e operação-padrão pela Polícia Civil e Brigada Militar. A expectativa era de que o restante dos salários seria depositado nos dias 13 e 25 de agosto, o que acabou sendo antecipado pelo governo para reduzir o desgaste político.  

2. Possibilidade de novo parcelamento: na terça-feira passada, dois antes da data em que seria paga a segunda parcela dos salários de julho, o governo anunciou a antecipação da quitação integral dos salários atrasados mediante "pedalada" de outros compromissos. No entanto, não confirmou pagamento integral dos vencimentos de agosto. Essa possibilidade de novo parcelamento é apontada como nova chance de greve, mais adiante.  

3. Projetos de ajuste fiscal: projetos incluídos nos três pacotes de ajuste fiscal do governo causam desgosto aos servidores. Entre eles estão a extinção de fundações, a criação da previdência complementar, a retirada do tempo de contribuição para aposentadoria dos brigadianos, a prorrogação do contingenciamento no orçamento e a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual, o que, segundo o funcionalismo, seria um pretexto para estender o arrocho salarial, entre outras.  

4. Projeto de aumento do ICMS: o governo está mobilizado em buscar apoio dos deputados para aprovar o projeto de lei, que ainda será enviado à Assembleia nos próximos dias, propondo o aumento de alíquotas de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS). A medida impactaria nas contas de todos os gaúchos.  

5. Negativa em acionar a Justiça: os servidores reivindicam que o governo Sartori siga o exemplo das prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro e ingresse com ação na Justiça para obrigar a União a cumprir a lei que muda a correção das dívidas de Estados e municípios. O Palácio do Planalto resiste à mudança que, segundo o funcionalismo, poderia trazer alívio às contas públicas.





Tatiana Danieli Jornalista Diplomada - MTB 8781 





Fonte: Federação Sindical dos Servidores Públicos no Estado do Rio Grande do Sul - Fessergs

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