Destaques, Notícias Publicado: 2/07/2015 | 10:08

Delegação chinesa sindical da província de Shandong visita a Nova Central e Confederações filiadas

A troca de experiências entre duas culturas diferentes, principalmente no que se refere ao modelo sindical adotado por cada uma delas foi o que mais impressionou a todos aqueles que participaram durante todo dia, das visitas e reuniões realizadas. 



Parecia mais 1 dia comum, no entanto a Nova Central Sindical de Trabalhadores enriqueceu seus conhecimentos a cerca da cultura chinesa e o sistema sindical adotado pelos orientais na província de Shandong na China e expandiu seu leque de informações explicando um pouco mais sobre o funcionamento do Sistema Confederativo Sindical brasileiro.

O encontro que ocorreu nesta terça-feira (30) contou com a presença de alguns diretores da Nova Central (Secretário Geral, Moacyr Roberto Tesch Auersvald; Vice-Presidente, Francisco Chagas Costa (Mazinho); Diretor de Organização Sindical, Geraldo Ramthun; Diretor de Assuntos Parlamentares, Luiz Gonzaga de Negreiros; Suplente da Diretoria de Organização Sindical, Altamiro Perdoná; Titular da Secretaria Nacional de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional no Serviço Público, Cintia Rangel Assumpção e o Diretor da Infância, Adolescência e Juventude, Geraldo Gonçalves de Oliveira) que juntamente com o presidente José Calixto Ramos, acompanharam de perto a visita da Delegação Chinesa da Federação Provincial Shandong dos Sindicatos que ocorreu primeiramente na sede nacional da Nova Central percorrendo na sequência às confederações filiadas à entidade (Contratuh, CSPB e CNTI). “É com grande satisfação e honra que recebemos a liderança sindical da China aqui em nossa sede nacional para que conheçam a estrutura das nossas confederações e com isso possam receber nossa contribuição para que entendam melhor o funcionamento do nosso Sistema Confederativo Sindical e se sintam a vontade para tirar suas dúvidas”, disse o presidente da NCST, José Calixto.
 
A troca de experiências entre duas culturas diferentes, principalmente no que se refere ao modelo sindical adotado por cada uma delas foi o que mais impressionou a todos aqueles que participaram durante todo dia, das visitas e reuniões realizadas. “Este intercâmbio entre o Brasil e a China vem reforçar esta relação entre os 2 países que mais crescem no mundo e que se aproximam cada vez mais apesar da distância territorial existente”, destacou Sr. Li Zhen, Presidente da Federação Provincial Shandong dos Sindicatos da China.
 
Além do Presidente Li Zhen, visitando a Nova Central estiveram: Wang Zhenyu, Diretor do Gabinete de Colaboração Técnica de Shandong Pronvincial Federação dos Sindicatos; Ge Yongsheng, Pesquisador do Instituto de Pesquisa de Política; Gond Huaren, Primeiro Vice-Presidente de Taiwan Federação dos Sindicatos; Ge Hongquan, Primeiro Vice-Presidente de Zibo Federação dos Sindicatos; Guan Yi, representante da CTO Sepco1 Construções do Brasil LTDA; Niu Genyuan, Diretor da Sepco1 Construções do Brasil LTDA; Mo Hongjun, Conselheiro da Embaixada da China; Wang Lei, Intérprete da Delegação e Shen Xiaoe, Guia da Delegação. 



O roteiro seguiu seu percurso na Presidência da República do Brasil, com a calorosa recepção feita pelo Assessor Especial do Ministro Chefe da Secretaria-geral da Presidência da República, José Lopez Feijóo, que na ocasião relatou ter sido presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC entre 2005 e 2008, pela indicação feita do ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva, fato este que ajudou muito na relação permanente que hoje ele tem com os movimentos sindicais. “Na china também existem mesas de negociações entre as empresas e o governo, que conversam sobre os problemas enfrentados pelos trabalhadores no sentido de ajudá-los, sendo que para cada província existe uma forma de se fazer este diálogo, analisando o que há de melhor para cada região”, conta Li Zhen. - 

À tarde o almoço e a visita foram na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), entidade que constantemente participa conjuntamente com as confederações filiadas à Nova Central, das mesas de negociações em prol da classe trabalhadora do país.  

A recepção ficou a cargo do presidente da CNTC, Levi Fernandes Pinto que juntamente com o 1º secretário Lourival Figueiredo Melo mostraram as instalações da entidade e presentearam a delegação agradecendo pela visita se colocando a disposição para futuras parcerias. 



Na Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), a delegação chinesa conheceu a estrutura física da entidade e aproveitou para saber mais sobre o funcionamento da confederação, acabando por conceder uma entrevista exclusiva para a TV Contratuh ao final da visita. “Viemos para o Brasil para conhecer melhor as confederações brasileiras, sobre o direito dos trabalhadores e tudo mais a respeito do assunto, pois muito ainda temos o que aprender com o Brasil. Assim desejamos sempre avançar nas questões dos direitos trabalhistas auxiliando no desenvolvimento dos dois países”, declarou Li Zhen.  

De acordo com a liderança chinesa que esteve pela primeira vez no Brasil tudo é muito bonito e maravilhoso, um país tão rico, belo e receptivo acaba por confirmar tudo aquilo que já acreditavam ser de origem do país. Além disso, entenderam muito bem sobre a importância que o movimento sindical representa junto aos trabalhadores, e o seu trabalho sério feito de maneira organizada e com clareza na riqueza de detalhes de como funciona o sindicalismo no Brasil. 



Seguiu-se para a Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), aonde o Diretor de Finança Adjunto da Nova Central e também Diretor da CSPB, Fernando Borges de Souza fez um apanhado geral sobre a confederação explicando a diferença existente entre o trabalho desenvolvido pelos dois países, em que na China trabalha-se para manter o bem estar social de forma geral e no Brasil trabalha-se nas questões que o governo não consegue ou não tem interesse em alcançar para garantir benefícios aos servidores públicos. “Todos os segmentos do serviço público são aglutinados na confederação, além disso, representamos cerca de 7 milhões e meio de servidores, ou seja, grande parte dos servidores do Brasil integram a confederação que luta pelos direitos constitucionais operando judicialmente naquilo que favoreça a categoria”, esclareceu. 



Por último a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) recebeu a Delegação com muito prestígio também explicando sobre o funcionamento da confederação, sua fundação e o trabalho desenvolvido ao longo dos anos junto aos trabalhadores brasileiros. “Esta confederação já representou desde a sua fundação todos os trabalhadores na indústria. Hoje como os grupos profissionais foram criando suas federações específicas somos cerca de 6 milhões de trabalhadores que integram a estrutura vertical com base no modelo de pirâmide que alcança todos os membros da categoria sendo com isso uma referência nacional por sua seriedade e conquistas junto aos trabalhadores”, explicou Calixto.
 
Por último foram entregues aos chineses lembranças que fazem referência ao Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), agendas personalizadas e muito acolhimento. “Estamos satisfeitos com as informações adquiridas e com a recepção que tivemos. Do que precisarem nos colocamos a disposição para auxílio e parcerias quando houver necessidade”, disse o Presidente Li Zhen.
 

 
Para entender o modelo sindical do Brasil e da China

 

No Brasil a Constituição Federal de 1988 preservou o Sistema Confederativo, advindo desde 1930, mantendo sua estrutura básica, com a permissão legal da criação de entidades, cujas formas são fixadas em lei, e que são três: sindicatos, federações e confederações, hierarquicamente dispostas.
 
Os sindicatos são associações de base ou de primeiro grau, cabendo a estes, pela sua proximidade com os trabalhadores, o papel mais atenuante. De acordo com o sistema legal vigente, a negociação coletiva é atribuição do sindicato.
 
As federações e confederações são as associações de segundo grau ou de cúpula, e um grupo de sindicatos pode fundar uma federação, assim como um número de federações podem criar uma confederação. Surgiram, assim, as pirâmides sindicais por categoria sob a forma de uma hierarquia, tendo suporte nos sindicatos, acima dos quais se construíram as federações e, sobre estas, por sua vez, as confederações.
 
As federações atuam, em regra, no território de um Estado Federado da República. Havendo uma Federação Estadual que nada impeça que exista também uma federação interestadual para os demais estados, ou até, uma federação nacional. Porém, se tais ocorrerem, a federação nacional não prejudicará a federação estadual, pois a lei privilegia estas, por serem a sua natural representatividade.
 
As Confederações situam-se no "terceiro degrau" da organização sindical, sendo sua esfera de atuação nacional. Suas funções básicas são de coordenação das federações e sindicatos do seu setor.
 
Fixe ainda que a Federação e a confederação não têm legitimidade para atuar diretamente na negociação coletiva, competência originária dos sindicatos. Aquelas, todavia, exercem uma função subsidiária, segundo a qual, não havendo sindicato da categoria na base territorial, pode a federação, e, à falta desta, a confederação, figurar na negociação.
 
Assim, a maior unidade representativa na organização sindical é a união de cúpula conhecida por central sindical. Nos modelos de liberdade sindical, tais uniões constituem-se acima das confederações, federações e sindicatos, expressando uma ação integrativa das entidades menores.

Já no modelo sindical adotado na China, cujo número de membros já atinge a 23 milhões de homens, equivalendo a 207 mil sindicatos de base, aonde cada empresa tem um sindicato, constituem as mais importantes alavancas de transmissão do Partido Comunista em relação às massas e uma força social ativa da edificação econômica e política, ou seja, sindicatos, governo e trabalhadores trabalham integrados não havendo divisão entre eles. “Aqui no Brasil o sindicato tem mais poder do que na China”, observou Wang Zhenyu, Diretor do Gabinete de Colaboração Técnica de Shandong Pronvincial Federação dos Sindicatos.
 
A legislação sindical, ratificada em 28 de Junho de 1950, reconhece os sindicatos como organizações que representam a classe operária da China e em particular nos órgãos de administração das empresas. As uniões camponesas, organizadas por províncias, representam um sério papel na luta contra as sobrevivências feudais que recebem ajuda principalmente para aqueles que estão abaixo da linha da pobreza, sendo a ajuda focada na educação dos filhos dos empregadores.
  





Fonte: Nova Central Sindical de Trablhadores - NCST