Notícias nos Estados Publicado: 25/05/2015 | 16:16

MG: Encontro Estatual de Mulheres Trabalhadoras

Encontro marcado pela presença de várias lideranças sindicais e trabalhadoras e de diversos setores. 

O presidente da NCST-MG e CNTI T Sr. José Calixto Ramos , relatou a atual conjuntura brasileira. A crise econômica que ora atravessa grande parte do mundo, e consequentemente o Brasil. A atual crise política deste governo. Os escândalos de corrupção e manifestações que dificultam a governabilidade. E consequentemente uma histórica crise política,  que enfraquece os movimentos sociais e a credibilidade do governo frente a população.

Segundo ainda Calixto, as questões atuais de Leis que tramitam são de interesse de toda sociedade e que afetam fortemente a classe trabalhadora femina, já tem seus direitos em condições desfavoráveis se comparadas à classe trabalhadora masculina. Deste modo, a tramitação da PLC 30, sobre a Tercerização, dentre tantas consequencias, traz maior fragilidade aos trabalhadores e especialmente fortalece a precariedade nas condições de trabalho .

A inserção da mulher trabalhadora na sociedade, frente às diferenças e desigualdades,  foram destacadas por Sonia Maria Zerino da Silva, que elencou alguns pequenos avanços, mas de grande importância, considerando que as conquistas das mulheres são lutas que se prolongam por muitos anos, embora as conquistas não tenham chegado na mesma proporção do enorme trabalho feito por elas. Assim, a luta pela redução das desigualdades e atualmente pela manutenção dos direitos já conquistados requer grande mobilização da classe trabalhadora feminina.  Ressaltou algumas questões, como o fato da mulher receber um salário de 30% menor, executando as mesmas atividades do homem. E principalmente ressaltou a necessidade de que a mulher ocupe mais posições de lideranças nos sindicatos e entidades de classe e principalmente na vida pública. Há 83 anos a mulher alcançou o direito ao voto, no entanto, ocupa apenas 52 cadeiras no legislativo brasileiro. Apenas 10% comparadas às cadeiras dos homens.

Esteve presente também ao evento, a Dra. Marta de Freitas, engenheira  da Saúde e Segurança do Trabalho e Diretora Estadual de Saúde e Segurança no Trabalho, que traçou um panorama estatistico das doenças que mais afetam a mulher trabalhadora. Ressaltando que as questões de doenças e acidentes de trabalho da mulher precisam ser tratadas de forma diferenciada dos homens.  Devendo ser consideradas questões como o condicionamento físico, dupla jornada, o metabolismo, etc.  Ainda falou sobre o assédio moral e sexual no trabalho. Segundo ela, 52% das mulheres economicamente ativas, sofrem ou já sofretam abuso sexual. No entanto, estas questões não são tratadas ainda com a devida importância. Isso repercute na mulher com doenças físicas e psicológicas, mudanças de comportamentos e baixa produção e baixo autoestima.

Também a precariedade dos trabalhados assumidos pela mulher, a desvalorização da mão de obra feminina, os baixos salários a obrigam a enfrentar duplas jornadas de trabalho com cansaço e fadiga nunca resgatados.  O alto nível de mulheres chefes de família aumenta essas responsabilidades. Para cada 10 casos de LER, doença por esforço repetitivo, oito são em mulheres. Isso, devido as suas atividades mais peculiares a seus postos de trabalho.

Outra questão apontada,  prevêm as perdas de direitos conquistados, dada as novas regras propostas pelo governo para concessão de pensões concedidas atualmente pela Previdencia Social às companheiras e conjuges. Segundo ela, é preciso estar atentos, pois sob a alegação de evitar supostas “fraudes”,  a Previdência faz uma manobra para reduzir custos, mas que pode representar um enorme prejuízo de muitas mulheres que venham a necessitar dessas pensões.  Então é preciso que os movimentos estejam mobilizados e conhecendo à fundo as novas regras para lutar pela manutenção dos direitos.

A UNSP apoia esta luta ajudando na organização, preparando e informando nossas mulheres trabalhadoras para construir melhores dias para nossa sociedade e destaca importância de momentos como esse para que todos lutem juntos pela extinção da violência contra a mulher.

A UNSP apoia os movimentos propostos pela Nova Central e Confederação rumo a manutenção dos  direitos e conquistas femininas, mas principalmente por mais conquistas à classe trabalhadora feminina.

Finalizando, José Calixto Ramos, presidente nacional da NCST brindou a todos os presentes com palavras de incentivo, colocando a Nova Central sempre a disposição de iniciativas como essa, onde as mulheres trabalhadoras podem unidas discutirem seus problemas e buscar soluções. Destacou o trabalho da Nova Central frente à tentativa de retirada de direitos constituídos dos trabalhadores e a importância do trabalho conjunto de homens e mulheres na construção de uma sociedade melhor.

Fonte: Unsp