Destaques, Notícias Publicado: 20/05/2015 | 15:56

Diretores da CSPB participam do XII Seminário LGBT no Congresso Nacional

Organizadores do evento denunciaram que, pela primeira vez, em 12 anos, o evento não teve os convites oficiais enviados pela presidência nem divulgação adequada pelo site da Câmara. A CSPB repudiou a postura antidemocrática da Casa Legislativa.







por Valmir Ribeiro
edição de Grace Maciel






A Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB participou, nesta quarta-feira (20), do Xll Seminário LGBT no Congresso Nacional. O evento segue até esta quinta-feira (21), no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados. A  cantora Daniella Mercury, integrante da mesa, executou, “accapella”, o hino nacional brasileiro e participou dos debates que abriram o primeiro dia de encontro.



O seminário reúne artistas, embaixadores, parlamentares, intelectuais e lideranças de diversos movimentos sociais para debater o preconceito, a injúria e a difamação a que são submetidos os homossexuais no país. Além disso, o Seminário foi foco de discussões sobre a "onda conservadora" no parlamento brasileiro, como, também, o resgate do protagonismo dos homossexuais na busca pela cidadania plena, com maior participação democrática, política e social.
 
A CSPB, em coerência com a ideologia progressista que marca sua trajetória histórica, apoia a iniciativa por entender que a sociedade brasileira precisa se libertar de diversas "amarras", entre elas, a do preconceito.


 
Organizadores do evento denunciaram pelas redes sociais que, pela primeira vez em 12 anos, o Seminário LGBT não teve os convites oficiais enviados pela presidência nem a divulgação do banner do evento, considerado "ofensivo" pelo site da Câmara. A Confederação repudia a postura intolerante e antidemocrática da Casa Legislativa.



Para a secretária executiva adjunta de Negociação Coletiva e Composição de Conflitos da CSPB, Karla Lúcia Oliveira, a confederação defende os interesses de todos os trabalhadores do serviço público, sem distinções quanto à sexualidade a religiosidade e as opções políticas e ideológicas de cada um. “Em todo o país, nossa entidade tem, em sua base, trabalhadores nas diversas esferas do governo: federal, estadual e municipal. Dentro dessa gama de servidores públicos existem gays, lésbicas, travestis, bissexuais, enfim, nós temos toda essa riqueza de pessoas que precisam ser representadas. É importante para a nossa entidade acumular subsídios e informações para atuar de maneira mais efetiva junto ao movimento LGBT. Faz parte da nossa missão combater todo o tipo de assédio e preconceito que, em nosso país, e tão recorrente contra os homossexuais”, disse.


 
Para o diretor de Assuntos Legislativos da CSPB, João Paulo Ribeiro (JP), nada mais coerente para uma entidade sindical do que apoiar as legítimas causas dos movimentos sociais. “As entidades sindicais emergiram dos movimentos sociais. A nossa sociedade é ampla. Se nossa missão é amparar os trabalhadores em todos os lugares, não faz sentido ignorar os interesses daquela parcela de servidores que, infelizmente, têm menor representação tanto na política, como no movimento sindical. A CSPB, ao apoiar iniciativas como esta, demonstra que é uma entidade sindical plural, à frente do seu tempo, e que tem compromisso em colaborar, de maneira efetiva, para a construção de uma sociedade democrática, fraterna e solidária”, defendeu o sindicalista.


 
O coordenador da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT e deputado federal, Jean Wyllys (Psol-RJ), lamentou a postura antidemocrática e intolerante do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, quanto a campanha de divulgação do seminário. “O que incomodou Cunha foi a foto do (quase) beijo entre Daniela Mercury e Malu Verçosa que está nas peças aprovadas pelas comissões de Cultura, Legislação Participativa e Ciência e Tecnologia, que dividem a organização da XIIª edição do seminário. Ele fez de tudo para censurar o beijo. Primeiro, falou que era necessária uma autorização de uso da imagem assinada por Daniela, mesmo ela tendo divulgado a arte no seu site oficial. Daniela enviou a autorização por escrito, mas mesmo assim, ele disse não. Não! Ele não vai permitir um beijo lésbico em cartazes e convites oficiais da House of Cunha, o poder legislativo que ele acha ser de sua propriedade pessoal”, atacou Wyllys.
 
O parlamentar do Psol, nas redes sociais, voltou novamente sua pontaria a Eduardo Cunha: “O tema do seminário é a empatia, um sentimento do qual o presidente da Câmara dos Deputados carece, pelo menos no sentido humano. Ele tem empatia com as empresas que financiaram sua campanha com doações que somaram 6.832.479,98 reais, para as quais quer aprovar uma emenda à constituição que lhes garanta a possibilidade de continuar investindo em candidatos patrocinados que as representem no executivo e no legislativo. Ele tem empatia com os deputados que lhe deram o voto para a presidência em troca de aumento de salário e verba parlamentar e outras regalias que ofendem o povo trabalhador em época de crise e ajustes..... Ele tem empatia com os fabricantes de armas, para os quais o Congresso prepara uma reforma do estatuto do desarmamento que pode aumentar a violência e a morte num país que já tem violência e morte demais. Ele tem empatia com planos de saúde, para os quais conseguiu o perdão de multas milionárias e o engavetamento de uma CPI. No entanto, ele não tem empatia pelas pessoas que se amam.”, lamentou o deputado.
 


Parlamentar atuante nos movimentos sociais, a deputada federal Érika Kokay (PT-DF) também participou do seminário. Kokay lamentou a “significativa” ampliação da pauta conservadora no Congresso Nacional. “Esta Casa está eivada de fundamentalismo e todo fundamentalismo é intolerante. Ele se nega a dialogar com o que não representa suas próprias ideias e, neste caso, ele fere de morte o Poder Legislativo. Poder este que, em sua essência, deveria ser um poder plural, representando as diversas formas de ver a vida, diversos projetos de país e diversos partidos. Se você não considera  a característica eminentemente plural deste poder, você acaba por ferir a própria democracia. O presidente da Casa, com essa postura, está conduzindo seu mandato numa lógica autoritária, numa lógica monolítica. Ele não pode fazer com que a Câmara marche no ritmo emanado dos seus tambores conservadores e fundamentalistas”,  disse.
 
Para a deputada, a melhor estratégia para os movimentos sociais e sindicais sagrarem-se vitoriosos no enfrentamento junto a uma pauta “reacionária” encampada por um Congresso Nacional predominantemente conservador, é seguir o caminho da unicidade e da mobilização. “É preciso organizar o conjunto dos movimentos e sair das caixinhas. O movimento sindical, o movimento das mulheres, o movimento LGBT, o movimento pela igualdade racial, enfim, todo esse conjunto de movimentos que existe em defesa de direitos, tem que se articular. Nós observamos que, recentemente, houve uma grande disputa na sociedade em relação ao projeto da terceirização que, embora nós tenhamos perdido aqui na Câmara, nos sagramos vitoriosos perante a sociedade. Esse é mais um exemplo de que, a partir da mobilização social, torna-se possível conquistar corações e mentes para o que é ético e justo neste país. É importante lembrar que, o quê está em risco nesta Casa, com essa postura fascista e autoritária, é a própria essência do Poder Legislativo”, concluiu a parlamentar.   
 
 
 
 
 
* Serviço fotográfico de Júlio Fernandes
 




Secom/CSPB