Notícias Publicado: 14/04/2015 | 08:17

Sinditamaraty: Em votação histórica, servidores do Itamaraty decidem pelo indicativo de greve

Com o resultado da assembleia do último dia 9, a greve poderá ser deflagrada nas próximas semanas se o Itamaraty não atender às reivindicações dos servidores.



Servidores do ministério das Relações Exteriores, em votação pela Internet concluída no último dia 10, decidiram pela realização de greve caso não seja atendida pelo órgão a pauta de reivindicações da categoria.

O prazo estipulado pelos servidores encerra-se no dia 6 de maio.
Entre outras exigências, estão a pontualidade no pagamento das parcelas de residência funcional, a universalização do plano de assistência médica internacional do Itamaraty, o reenquadramento salarial de oficiais e assistentes de chancelaria e a criação de grupo de trabalho formado por servidores indicados pelo sindicato e pelo ministério para discussão e proposição de soluções para os problemas que afetam diretamente os funcionários.

A situação da residência funcional – como é chamado o auxílio-moradia no exterior – é a mais crítica. Os atrasos no pagamento vêm se arrastando desde o ano passado. Atualmente, o atraso médio é de três meses, mas há casos em que a inadimplência chega a um ano – em alguns países, exige-se o pagamento adiantado de até 12 meses de aluguel.

Ainda de acordo com o resultado da votação, o Sinditamaraty está autorizado desde já, e independente do prazo para atendimento das reivindicações pelo órgão, a propor ações coletivas para pleitear o pagamento das parcelas de residência funcional em atraso e a regularização dos plantões diplomático, consular e dos setores de comunicações dos postos no exterior, considerados estratégicos. Hoje, não existe compensação de horas para quem realiza os plantões, e também não há critério para escolha dos plantonistas, que em geral são funcionários de baixa patente – jovens diplomatas e oficiais e assistentes de chancelaria.

Na avaliação do sindicato, que representa hoje 1.200 servidores, a decisão da maioria dos filiados pelo indicativo de greve e pela proposição de ações judiciais coletivas é sinal de que “a paciência dos funcionários do Itamaraty chegou ao limite. Somos uma categoria reconhecida pela capacidade de diálogo e enfrentamento das adversidades, qualidades imprescindíveis a quem trabalha com diferentes culturas e longe de seu país. Mas está na hora de transformar o discurso em ação”, afirmou a presidente do Sinditamaraty, Sandra Nepomuceno.

O sindicato comunicará oficialmente o ministério das Relações Exteriores a respeito da decisão dos filiados. “A partir da entrega do ofício, aguardaremos a posição oficial do Itamaraty sobre nossa pauta. E esperamos que seja em breve, pois não podemos mais esperar. Temos colegas no exterior decretando falência financeira por falta de dinheiro para pagar o aluguel”, afirmou a dirigente, segundo a qual os ofícios que o sindicato enviou nos últimos meses – sete, no total – até hoje estão sem resposta. 


Votação histórica


O novo formato de votação superou as expectativas do Sinditamaraty quanto à participação de servidores. Foram 353 os servidores que responderam ao questionário eletrônico formulado pelo sindicato e que contou com a colaboração dos próprios servidores. O número é considerado recorde. Desse total, 288 pessoas (81,59%) votaram pela mobilização. Entre os votantes, todos filiados ao Sinditamaraty, há diplomatas, oficiais e assistentes de chancelaria e membros das carreiras do PCC e PGPE que trabalham no Brasil e no exterior.

Antes, com a votação presencial durante a realização de assembleias, os servidores no exterior precisavam assinar procurações e enviá-las a seus colegas no Brasil, o que reduzia drasticamente a adesão e a participação nas votações.






Fonte: Assessoria de Comunicação do Sindicato Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores - Sinditamaraty