Destaques, Notícias
Publicado: 3/03/2015 | 17:11
Entidades sindicais se unem contra o aumento da Taxa Básica de Juros – Selic
Manifestantes se reúnem em frente à sede do Banco Central contra um provável novo aumento da Selic. Para os sindicalistas, o crescimento da Taxa Básica de Juros reduz o poder aquisitivo dos trabalhadores e desestimula empreendimentos do comércio e do setor produtivo, grandes empregadores do mercado.
por Valmir Ribeiro
edição de Grace Maciel
Diversas entidades sindicais se reuniram nesta terça-feira (3), em frente à ao edifício sede do Banco Central do Brasil (BC), contra a sequencia de aumentos da Taxa Básica de Juros (Selic) que compromete a renda do trabalhador e desestimula empreendimentos do comércio e do setor produtivo, grandes empregadores do mercado.
No entendimento das lideranças sindicais, a política neoliberal do governo, ao promover ajuste fiscal a onerar a classe trabalhadora, coloca o Brasil na mesma rota dos países que sofreram, e ainda sofrem as piores consequências da crise financeira internacional.
Para o presidente da Central Geral de Trabalhadores do Brasil – CGTB, no Distrito Federal, Flauzino Antunes, a postura do governo de estimular a obtenção de lucros através de ganhos pelo setor financeiro, estimula que os investimentos do setor privado migrem para o lucro “fácil” da compra e venda de papéis, favorecendo rentistas e banqueiros. “Quem ganhou a eleição foi uma agenda econômica a contemplar os interesses do neoliberalismo e do capital financeiro internacional. Pra pagar essa dívida com o arrolamento do serviço de juros, se tira direitos trabalhistas e se congela o orçamento da União dispondo quase 50% desse universo de impostos e de arrecadação do Executivo Federal, para o pagamento de juros. Isso ocorre em prejuízo das políticas sociais, de desenvolvimento da indústria, do comércio e demais estímulos a empreendimentos do setor produtivo. Esse ciclo penaliza o trabalhador brasileiro de diversas maneiras: com o aumento de juros, com o crescimento da taxa de desemprego e com o corte de benefícios sociais e trabalhistas”, argumentou Antunes.
Para a integrante da ONG Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, não existe justificativa técnica ou econômica para os elevados juros brasileiros. “Nossa inflação é provocada pelo aumento no preço dos alimentos, pela abusiva elevação dos preços administrados, tais como: telefonia, energia, água, combustível e transporte. As tarifas cobradas por esses insumos e serviços não diminuem quando os juros sobem. A elevação da Selic é mais um privilégio do Sistema da Dívida, que absorve quase metade do orçamento federal a cada ano, prejudicando o atendimento das necessidades sociais do povo brasileiro”, defendeu Fattorelli.
O presidente nacional da Central Geral de Trabalhadores do Brasil – CGTB, Ubiraci Oliveira, alertou que o governo Dilma Rousseff, que conseguiu “amplo” apoio das entidades sindicais e movimentos sociais no período eleitoral, “traiu” seu eleitorado de perfil progressista.
Segundo o sindicalista, a equipe econômica do governo, tão ovacionada pelo mercado, tem perfil neoliberal e não vai descansar enquanto não atingir o objetivo de “fragilizar” o estado brasileiro, submetendo-o aos interesses do sistema financeiro internacional. “As políticas adotadas pelo governo estão na contramão de tudo aquilo que pode estimular nosso desenvolvimento. Ao estimular o rentismo e o lucro a troco de juros, o governo atrai investimentos para o capital especulativo e desestimular os investimentos no capital produtivo. Nessa trajetória, quem sai perdendo é a indústria nacional, o trabalhador brasileiro e a soberania nacional. Precisamos e iremos reagir à isso”, concluiu Oliveira.
As entidades sindicais informaram, na ocasião do ato público, que permanecerão atentas aos próximos passos do governo e que estará organizada para garantir um “amplo” calendário de mobilizações em defesa dos trabalhadores, dos servidores públicos e do estado nacional.
Secom/CSPB
Compartilhe essa notícia
Mais lidas dos últimos 30 dias
01
CSPB participa de reunião extraordinária do Instituto Servir Brasil e reforça unidade pela aprovação do PL 1893/2026 (5811 views • 07/07/2026)
02
CSPB intensifica articulação para construir consenso e viabilizar aprovação da negociação coletiva no serviço público (5478 views • 10/07/2026)
03
CSPB celebra avanço histórico da negociação coletiva e convoca mobilização nacional pela aprovação do PL 1893/2026 (5040 views • 02/07/2026)
04
CSPB repudia perseguição a dirigentes sindicais e anuncia reação política e jurídica em defesa da liberdade sindical (4968 views • 15/07/2026)
05
CSPB lança ‘Carta de Compromisso 2026’ para pautar a defesa do serviço público nas eleições (4857 views • 09/07/2026)
06
Nota Técnica do MPT fortalece atuação dos sindicatos na fiscalização de contratos terceirizados (4779 views • 21/07/2026)
07
CSPB reforça articulação por consenso para viabilizar aprovação do PL da Negociação Coletiva (4761 views • 08/07/2026)
08
CSPB amplia articulação política e convoca servidores para audiência pública decisiva sobre a negociação coletiva no serviço público (4718 views • 23/07/2026)
09
FMI reconhece fracasso das privatizações e aponta nova onda estatal (4681 views • 01/07/2026)
10