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Publicado: 25/02/2015 | 11:45
BA: Carta aberta ao povo baiano
"O prestigioso Órgão de Engenharia Rodoviária- Derba, que tantos e relevantes serviços prestou a nossa Bahia, teve a sua extinção decretada através da Lei nª13.204/2014....

Em defesa do Derba
Após exatos noventa e sete anos e quatro meses, próximo a completar um século de existência, O DERBA, o prestigioso Órgão de engenharia rodoviária, que tantos e relevantes serviços prestou a nossa Bahia, teve a sua extinção decretada através da Lei nª13.204/2014. Ressalte-se que seu sucateamento vem sendo gradativamente realizado desde o ano de 1991. O que estranhamos é que o Sr. Jacques Wagner, durante sua campanha ao governo da Bahia e nos dois primeiros anos do seu mandato, declarava que iria reestruturar nosso Departamento. Ocorre que no melancólico final do seu segundo mandato, aplicou de forma equivocada e truculenta o golpe fatal, naquele que foi ao longo de vários governos o carro chefe do desenvolvimento da Bahia, e o esteio sincero e realizador de vários governadores, que não por acaso, tiveram os seus mandatos considerados como extraordinários.
O que nos causa indignação é que esse infame ato de extinção do DERBA, desferido por pessoas despreparadas para exercer uma eficiente gestão pública, foi perpetrado de forma truculenta e sorrateira, sem qualquer debate, sem ouvir autoridades e técnicos capacitados da engenharia rodoviária, sem o devido conhecimento do funcionamento da máquina publica e do setor de Infraestrutura de transportes. Paralelo a isso, trouxe um enorme prejuízo para o capacitado corpo técnico do Órgão, que vem lutando há vários anos para obter na sua remuneração os benefícios conquistados através de decisões judiciais.
A rede rodoviária do Estado da Bahia, representa um valor aproximado de R$ 30.000.000.000,00 ( trinta bilhões de reais ), portanto considerado o maior bem do nosso Estado, construído pelas mãos dos homens. Acrescente-se a isso todos os bens pertencentes ao DERBA, como os imóveis onde funcionam as vinte Residências de Manutenção espalhadas por vinte Regiões Administrativas da Bahia, como também os equipamentos ainda existentes. Porém, o maior patrimônio do DERBA, não pode ser expressado por valores monetários. Que é o imenso acervo técnico, oriundo do conhecimento e da experiência do seu notável corpo de servidores. Portanto a extinção do DERBA deve ser considerado um crime de “ Lesa Patria.”
Sem um Órgão para efetuar a tarefa de conservar rotineiramente os 19.089,50 km da nossa rede rodoviária, dos quais 10.000,00 km pavimentados, utilizando-se a técnica da conservação preventiva, como a freqüente vistoria das obras d`artes ( pontes, pontilhões , viadutos e bueiros capeados e tubulares), limpeza das valetas , sarjetas e drenos , limpeza e reposição das placas de sinalização, além da roçagem para desobstrução dos acostamentos, posso garantir que os prejuízos materiais serão enormes , sem contar com o risco permanente a que estarão expostas valiosas vidas humanas, pois é pelas nossas rodovias que circulam as pessoas e a quase totalidade das nossas riquezas minerais, industriais e agropecuárias. E o pior de tudo isso, é que a forma como está sendo planejada a superintendência de Infraestrutura de Transportes da Bahia – SIT, não preencherá os requisitos para uma eficiente fiscalização dos serviços de construção e conservação.
A pergunta que não quer calar. Que fato motivou os artífices que executaram esse torpe e inconseqüente ato de barbárie? Foi por ignorância? Miopia política? Incompetência para gerir a máquina pública? Desconhecimento da realidade do Estado e do papel do DERBA no setor de Infraestrutura ? Ou aplicação da proposta neo-liberal do estado mínimo ?
Qualquer que seja a resposta, não se pode deixar de admitir que a extinção do DERBA é um ato altamente irresponsável e nocivo para com o patrimônio público.
A quem interessa a terceirização dos serviços de conservação rodoviária?
Posso garantir que não é ao cidadão contribuinte, que já é tri- tributado para pagar os serviços de manutenção das rodovias. Pois além do IPVA, e da CIDE, também paga um percentual que compõe a alíquota do ICMS, embutido nos preços dos veículos, peças, pneus, combustíveis, lubrificantes, etc. E ainda, em determinadas rodovias passa a ser tetra- tributado, quando coagido a pagar o famigerado pedágio rodoviário, restringindo-lhe o direito constitucional de ir e vir.
Não obstante tudo isso, a terceirização no serviço público é a porta de entrada para a prática de assalto aos cofres públicos, pois ela é um agente facilitador para a ocorrência da corrupção. O conluio entre determinados empreiteiros e autoridades públicas, com a concessão de obras em troca de propinas, é assunto que vem ocupando o noticiário dos órgãos de imprensa há muito tempo, sem que haja a devida punição dos infratores. Esperemos que agora, no rastro da apuração dos crimes ocorridos na Petrobrás, sejam também apuradas todas as falcatruas cometidas com o uso do dinheiro público.
Se a nefasta idéia de extinguir o DERBA foi motivada pelo espírito do neo liberalismo, temos que reconhecer que se trata de atitude retrógrada , na contra mão da história, pois com a atual crise do capitalismo , os países considerados como do primeiro mundo já perceberam os prejuízos econômicos e sociais causados por esse modelo econômico . Como se não bastasse, em países como Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha, Japão, etc, a tarefa de manutenção e conservação das rodovias estatais é realizada por trabalhadores vinculados ao Estado.
Na minha experiência de 14 anos trabalhando no campo, com 10 anos gerenciando Residências de Manutenção, tive a oportunidade de desenvolver estudos provando que os serviços de conservação rotineira executados diretamente pelo DERBA, correspondia, em media, a um terço do que se gastaria no pagamento se o serviço fosse terceirizado. Como também a qualidade e a eficiência dos trabalhos sempre foram superiores. Isto deve-se muito ao fato de que a terceirização traz consigo a precariedade dos serviços , devido a alta rotatividade da mão de obra nas empresas, assim como a prática desonesta de algumas empreiteiras na execução dos serviços.
O DERBA sempre foi considerado uma casa de respeito, onde prevalecem os valores éticos da honradez, da dignidade, da honestidade, da lisura, impregnados na alma do seu competente, zeloso e eficiente corpo de funcionários, necessitava, faz algum tempo, de uma completa recuperação. Com a aquisição de equipamentos e contratação de pessoal, pois no momento atual contava apenas com 746 servidores, para cuidar dos seus quase 20.000,00 km de estradas, além dos aeroportos e terminais marítimos.
No dia 29 do mês de março de 1963, o então governador Juracy Magalhães, dirigindo-se a um expressivo grupo de diretores e funcionários do Derba, assim se expressou: “ Eu já encontrei o DERBA bem organizado antes de assumir o Governo, quando o DERBA já existia funcionando bem em Governos anteriores e, graças a Deus, no meu Governo teve uma produtividade bem maior porque aos recursos normais do DERBA eu ainda pude obter recursos de outras fontes para entregar às mãos honradas dos dirigentes e funcionários desta organização”. “ o DERBA trabalhava e trabalhava bem, apesar dos Governos”. E dirigindo-se aos engenheiros e funcionários, aconselha: “ Conservai este admirável espírito público e esta devoção pelo DERBA; continuai unidos como uma equipe onde a politicagem malsã não entrará; prossegui com esta força que é a honestidade de propósitos assegurada durante todo o meu governo. Nunca ouvi dizer que empreiteiros fossem subornar engenheiros e técnicos do DERBA- este é um depoimento que dou para a Bahia e para o Brasil e oxalá que a administração pública tivesse sempre organizações da capacidade técnica do DERBA, da honestidade, da devoção à causa pública como tem o Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia.
Vários outros governadores, a exemplo de Lomanto Junior, Luiz Viana, Roberto Santos , João Durval, Waldir Pires e Nilo Coelho, acreditaram e puderam sempre contar com o DERBA, para execução de suas atribuições institucionais, de planejar, projetar, construir e conservar rodovias, como também desenvolver diversas outras ações nos períodos críticos de secas e enchentes, além de atendimentos contínuos às Prefeituras Municipais.
Finalizo, rogando para que as autoridades que governarão nosso Estado por esses próximos quatro anos, repensem e adotem providencias que possam evitar maiores prejuízos ao Estado e problemas para os futuros governantes da nossa querida Bahia.
VIVA O DERBA!
Nilton Borges Ramos, Engenheiro Civil, Presidente da Associação Sindical dos Servidores do DERBA ( ASDERBA/SINDICATO), ex – Presidente e atual Diretor da Federação Sindical dos Servidores dos Departamentos de Estradas de Rodagem do Brasil ( FASDERBRA), Diretor para Assuntos de Transportes da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), e Secretário Executivo da União Geral dos Trabalhadores ( UGT ).
Carlos Alberto Dantas Mendes, Engenheiro Civil aposentado do DERBA, ex Secretário de Transportes e Comunicações do Estado da Bahia, ex Diretor Geral do DERBA.
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