Notícias Publicado: 21/11/2024 | 07:00

Educadoras infantis pedem inclusão na carreira do magistério em audiência pública



Em encontro na Câmara dos Deputados, educadoras infantis destacam necessidade de reconhecimento formal


Em encontro na Câmara dos Deputados, educadoras infantis destacam necessidade de reconhecimento formal

 
Audiência — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados


por Gustavo Silva


O reconhecimento das educadoras infantis como parte da carreira do magistério foi o tema de uma audiência pública realizada, nesta semana, na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. De acordo com a legislação brasileira, a educação infantil e pré-escolar é parte do ensino básico e deve ser acessível a todas as crianças. No entanto, a grande maioria das educadoras que atuam nesta etapa do ensino não é reconhecida como docente na carreira do magistério, o que implica na exclusão de benefícios, como o piso nacional da Educação. A situação também se reflete na remuneração: a maioria das educadoras infantis recebe em torno de dois salários mínimos mensais.

A falta de valorização da profissão é refletida nos dados de uma pesquisa do Ministério da Educação (MEC), apresentada por Rita de Cássia de Freitas Coelho, coordenadora-geral de Educação Infantil. O estudo mostra que apenas 40% das profissionais da educação infantil são contratadas por concurso público, e apenas 31% delas fazem parte da carreira do magistério.

Além disso, cerca de um terço dessas educadoras não possuem a formação exigida para a carreira docente. A maior parte delas tem apenas o ensino fundamental, e apenas uma pequena parte tem o ensino médio normal ou a licenciatura plena em Pedagogia.


Proposta legislativa visa resolver situação


A deputada Luciene Cavalcante (Psol-SP) e o deputado Reimont (PT-RJ) apresentaram o Projeto de Lei 2.387/2023, que propõe a inclusão das profissionais da educação infantil na carreira do magistério. O projeto tem como objetivo garantir que as educadoras que foram contratadas por meio de concurso público sejam reconhecidas como professoras, com todos os direitos e benefícios garantidos pela legislação vigente.

No entanto, a proposta enfrenta desafios devido à diversidade de perfis e formações das profissionais da educação infantil. De acordo com o MEC, o texto precisará de regulamentação específica para acomodar as diferentes formas de contratação e qualificação da categoria, a fim de reconhecer e valorizar o trabalho das auxiliares, monitoras e educadoras que atuam diretamente na docência da educação infantil.

Cavalcante, responsável pelo pedido da audiência, destacou o problema das prefeituras que burlam a lei ao contratar educadoras infantis com outros cargos ou títulos, mas que, na prática, desempenham funções de professoras:


— Quando você vai deixar seu bebê na creche, você entrega a criança a uma profissional que é tratada como professora pelas famílias e pelas próprias crianças, mas, no registro funcional, ela não tem essa função. Há uma ilegalidade que precisa ser corrigida.


O projeto de lei já foi aprovado em todas as comissões da Câmara e agora segue para análise do Senado.




Fonte: Coluna Servidor Público - Jornal Extra