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Publicado: 16/04/2014 | 13:25
CSPB vai acionar Justiça contra MP de Tocantins por prática anti-sindical
A entidade, com mais de 4 anos de atuação sindical, teve os recebimentos dos recursos suspensos pela administração do Ministério Publico daquele estado.

por Valmir Ribeiro
edição de Grace Maciel
Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), ao ser informada de uma atitude ilegal e arbitrária do Ministério Público Estadual do Tocantins, comprometeu-se, nesta quarta-feira (16), no encontro dos líderes sindicais ligados à Federação Nacional dos Servidores dos Ministérios Públicos Estaduais (Fenasempe), a tomar providências jurídicas para garantir o recebimento das mensalidades arrecadadas para o Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Estado do Tocantins (Sindsempto).
A entidade, com mais de 4 anos de atuação sindical, teve os recebimentos dos recursos suspensos pela administração do Ministério Publico daquele estado. O órgão, que sugeriu ao Sindsempto que o mesmo se transforme em uma associação, comete uma ingerência direta na organização dos trabalhadores, em contrário do que garante o artigo 8º da Constituição Federal. O MP de Tocantins alega que a suspensão é legal tendo em vista que o Sindsemp-TO ainda não conseguiu seu registro sindical junto ao Ministério do Trabalho (MTE).
O caso foi relatado ao secretário-geral da CSPB, Lineu Mazano, que, à partir de uma avaliação do problema pelo presidente da CSPB, João Domingos, prometeu providências para agilizar o registro sindical da entidade por meio de uma análise prévia do processo e, também, o acionamento da Justiça contra MP de Tocantins por aquilo que se configura como prática anti-sindical.
O presidente do Sindsemp-TO, Gustavo Jacinto, afirmou que a entidade já encaminhou um mandado de segurança ao Tribunal de Justiça do Estado de Tocantins. O sindicalista, indignado com a situação, relatou o caso: “No dia 10 de março foi realizada uma reunião do colégio de procuradores, na qual foi suscitada a legitimidade do nosso sindicato. Diante disso, a procuradora remeteu os autos para a Comissão de Assuntos Administrativos do Colégio de Procuradores. Nessa comissão, foi proposta para o Sindsemp-TO um termo de ajustamento de conduta, na qual nós iríamos nos tornar uma associação, deixando de ser entidade sindical. Óbvio que esse ajuste de conduta foi negado pelo nosso sindicato. A princípio rechaçamos a ideia e já convocamos assembleia para melhor discussão deste assunto com a nossa categoria”, disse.
Para o presidente da Fenasempe, Marcos Kersting [ tammbém dir. da CSPB], o posicionamento do MP do Tocantins se configura como uma evidente perseguição ao sindicato. “A partir do momento que o Colégio de Procuradores e a administração do Ministério Público do Tocantins encerra o desconto dos sindicalizados para pagar a contribuição da entidade, eles excedem suas atribuições. Essa é uma atitude que nós consideramos inadmissível dentro do Ministério Público, o fiscal da lei, que, neste caso, não está cumprindo um princípio básico da democracia”, argumentou.
Lineu Mazano, condenou a atitude e afirmou que ela fere o princípio constitucional da organização sindical dos servidores públicos. Lineu lembrou que o Congresso Nacional já ratificou a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que garante liberdade de organização sindical e o exercício do mandato sindical classista. “Diante dessa aberração, que jamais nós esperávamos que nesta época fosse possível de acontecer, a CSPB assume o seu papel e firma o compromisso na direção de sua defesa intransigente dos interesses servidores públicos. Tomaremos todas as medidas que se fizerem necessárias: denunciando publicamente; tomando as medidas judiciais; recorrendo ao Conselho Nacional do Ministério Público; Ministério do Trabalho; Câmara Federal; Congresso Nacional e aonde mais for possível. Nós não vamos permanecer inertes diante de uma situação dessas. A ditadura ficou para trás há muitos anos”,destaca Mazano.
Além do secretário-geral da CSPB e do presidente da Fenasempe, participaram do encontro: o presidente do Sindsemp-TO, Gustavo Jacinto Ramos de Menezes; o presidente do Sindicato dos Servidores do Ministério Público de Goiás, Elivan Vaz Germano; o presidente do Sindisemp-MT, João Guilherme de Oliveira Vicente Ferreira; o secretário-geral da Fenasempe, Daniel da Costa Leite Zaeza; a diretora jurídica da Fenasempe, Priscilla Mendonça e o diretor da Fenasempe, Ivan Carvalho Bittencourt.
SECOM/CSPB
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