Destaques Publicado: 10/10/2013 | 10:18

PSB e Rede se unem como alternativa para eleições de 2014

Uma aliança democrática e programática. Assim foi definida, pelos próprios protagonistas do ato político, a união entre o Partido Socialista Brasileiro - PSB, do governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, e a Rede Sustentabilidade, liderada pela ex-senadora e ex-ministra Marina Silva.


 
por Geralda Fernandes

Uma aliança democrática e programática. Assim foi definida, pelos próprios protagonistas do ato político, a união entre o Partido Socialista Brasileiro - PSB, do governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, e a Rede Sustentabilidade, liderada pela ex-senadora e ex-ministra Marina Silva. A decisão sobre como será a composição da chapa deve ser tomada no ano que vem.
 
A filiação de Marina Silva ao PSB se deu após o Tribunal Superior Eleitoral rejeitar o registro da Rede por falta de comprovação do número de assinaturas de apoio previsto em lei. Segundo a Rede, foram colhidas 910 mil assinaturas, sendo que 95 mil delas foram anuladas “injustificadamente”. Marina havia sido convidada por outras legendas e deixou a decisão para o último dia definido pela legislação eleitoral para filiação ou troca de partido de quem quer concorrer nas próximas eleições.
 
Mesmo assim, Marina afirmou que a filiação não tem como fim participar da eleição. "O compromisso dessa coligação programática é de manter as conquistas, reparar os erros e enfrentar os novos desafios. É o começo de uma caminhada. Não é a Marina entrando em um partido para conseguir uma legenda para ser candidata. É a Marina entrando em um partido para chancelar o programa da Rede e, na discussão democrática, adensar o programa de uma candidatura que já está posta."
 
O presidente do PSB referendou a justificativa. "Esse debate vai muito além da formação de chapa. No tempo certo vamos formar chapa para defender o conteúdo que estamos começando a discutir. [...] Vamos, no tempo certo, tomar a decisão ao lado de outras forças políticas que podem se somar a esse esforço. Não queremos reduzir o debate entre Rede e PSB, queremos debate com a sociedade".
 
O porta-voz da Rede Sustentabilidade, Cássio Martinho, leu o termo de compromisso firmado entre o partido e o PSB. No documento, os partidos definem a aliança como "democrática" e "transitória", com o objetivo central de “aprofundar a democracia e construir as bases para um ciclo duradouro", de desenvolvimento sustentável, redemocratização, estabilidade econômica e inclusão social.

Marina agradeceu ao PSB pela aliança e criticou a decisão do TSE. "O pragmatismo sepultou a esperança. Somos o primeiro partido clandestino criado em plena democracia. Embora já sendo partido político, do ponto de vista programático, enraizado no país e com a chancela da sociedade. Quero agradecer aos companheiros do PSB a chancela política e eleitoral que a Justiça eleitoral não nos quis dar. Estou feliz pelo resultado, mas triste pelo aviltamento que levou a este resultado. Diante de tudo uma coisa boa: o gesto de quem busca e o gesto de quem nos acolhe. A derrota ou a vitória só se mede na História e a História não se resume a uma canetada".
 
"Juntos pelo Brasil aqui estamos nesse momento de grande aprendizado. Nasci numa família de políticos perseguidos e esta é uma das maiores lições de vida. Vinte e cinco anos depois da promulgação da Constituição do nosso país uma filha do povo brasileiro deu aqui uma aula de política e cidadania. Em nome de todos os brasileiros que querem um novo país, esse é um ato de reforma da política brasileira. Um gesto que fica e que marca e que será lembrado por aqueles que vierem depois de nós", emendou Campos.
 
A convite do governador Eduardo Campos o presidente da CSPB participou do ato político de maior relevância no que se refere às eleições de 2014. Na sexta-feira, 4, João Domingos Gomes dos Santos se filiou ao PSB, também a convite do governador, numa solenidade que contou com a participação de lideranças políticas e sindicais, rumo às eleições pelo Estado de Goiás. Tanto Campos quanto o candidato ao governo estadual, Vanderlan Cardoso, convidaram João Domingos a participar na elaboração dos programas de governo.


 
“Esta é a primeira vez que assino uma ficha de filiação para candidatura e com um projeto político. O que me levou a aceitar mais este desafio e escolher o PSB para filiar foi a coerência com o grande projeto de construção do Estado Social de Direito, em contraponto ao Estado Liberal de Direito. O segundo motivo para a decisão foi o ambiente adequado para implantar o programa que, durante 15 anos, procurou abrigo e ambiente ideal; e o terceiro, o momento histórico e político que vivemos”, explica João Domingos.
 
A escolha do PSB – A ex-senadora explicou que a escolha pelo “plano C, de Eduardo Campos”, se deu porque é um partido com bandeiras históricas. “Em muitas frentes de batalha estamos juntos historicamente, com as nossas diferenças, não as negamos. Mas porque também tem um governador que trabalhou para viabilizar a sua candidatura legítima a presidente da República”, disse, lembrando que no dia da fundação da Rede o PSB mandou carta assinada por Campos, “antecipando esse momento que talvez só Deus sabia”.
 
Campos e Marina anunciaram a aliança como uma terceira via no cenário político, para fugir da polarização entre PT e PSDB. "Fernando Henrique Cardoso e Lula estabilizaram a economia e permitiram a inclusão social, mas ainda precisamos caminhar muito. Não estamos pensando apenas no poder pelo poder. O Brasil precisa de uma agenda estratégica para pôr fim à lógica da política de curto prazo".
 
Marina citou ainda que não pretende fazer oposição por oposição. "Achavam que já tinham nos abatido, mas estamos aqui para dizer que essa aliança não é para destruir, é para construir. Nosso objetivo não é oposição por oposição, nem situação por situação, é assumir posição. E apresentar um programa para a sociedade, que seja capaz de alinhamento histórico e sepultar de vez a velha República".
 
"Estamos quebrando uma falsa polarização que precisa ser quebrada na política brasileira. Queremos que os cidadãos debatam o futuro do país. Reconhecemos a Rede como necessária para o futuro do nosso país. Quem achou que a Rede ia morrer em um tribunal, vê hoje ela se agigantar. Estamos abertos a crescer junto. Sabemos das nossas diferenças, mas sabemos, principalmente, do que nos une", referendou Campos.

Aliança programática – Os dirigentes do PSB e da Rede reforçaram a transitoriedade da aliança. "É uma filiação simbólica ao PSB, pois continuarei porta-voz da Rede Sustentabilidade. É uma filiação democrática. Não é o mais do mesmo, não é previsível. É o que surpreendeu. Porque a política não é só previsibilidade”, afirmou Marina, analisando que o esperado era que ela se resignasse e ser candidata da internet.
 
“Ia ser mais confortável, mas não o melhor. Todo mundo ia curtir e um bando de gente ia me cutucar. Mas isso não ia mudar absolutamente nada... Minha decisão foi de não ficar carimbada como aquela que foi abatida. Se não é possível um novo caminho, há que se aprender uma nova maneira de caminhar", afirmou. Marina Silva fechou seu discurso declamando o poema Arco e Flecha, de sua autoria, em que cita: “Buscai o melhor de mim e terás o melhor de mim. Darei o melhor de mim onde precisar o mundo”, levando o governador às lágrimas.
 
"Quem entende o que aconteceu em junho – disse Campos, se referindo às manifestações populares nas ruas – não tem nenhuma dificuldade de entender o que aconteceu aqui hoje, a busca do diálogo distinto, onde todos querem participar. Quem luta pelos ideais que nós lutamos e sonha pelo país que nós sonhamos está animado com o que está acontecendo aqui. A Rede existe porque existe o pensamento organizado que se expressa, porque tem militância. Vamos, lado a lado, espalhar esperança ao nosso povo. Que nós possamos nessa convivência ter a nossa marca de solidariedade". Eduardo Campos devolveu também em poesia o seu agradecimento, citando o escritor Rainer Maria Rilke, que em conferência disse: onde não havia caminhos, voamos.

Eduardo Campos e Marina Silva aparecem nas pesquisas eleitorais como pré-candidatos à Presidência da República nas eleições do ano que vem – segundo o último levantamento do Ibope, Marina estava em segundo lugar com 16% das intenções de voto, em 2010 ela obteve 20 milhões de votos; e Campos tinha 4%, em quarto lugar, e é o governador com maior índice de aprovação popular, de 87%. A união provoca uma reviravolta no cenário eleitoral de 2014.

SECOM/CSPB
 
Coligação Rede Sustentabilidade e Partido Socialista Brasileiro
 
Os partidos Rede Sustentabilidade e Partido Socialista Brasileiro decidiram neste sábado, 5 de outubro, formar uma coligação política e eleitoral em torno de um programa para a disputa das eleições de 2014.
Os partidos reafirmam a legitimidade da integridade e da identidade partidária do outro.

Nas circunstâncias criadas por recente decisão da Justiça Eleitoral, o caminho para construir essa coalizão é a filiação democrática e transitória de lideranças e de militância da Rede ao PSB. A filiação democrática e transitória é uma tradição brasileira nas situações em que correntes políticas são impedidas de se organizar formalmente e de participar com sua própria legenda dos processos políticos e eleitorais.

O objetivo central da aliança entre o PSB e a Rede é aprofundar a democracia e construir as bases para um ciclo duradouro de desenvolvimento sustentável, os dois pilares da verdadeira soberania nacional.

A luta da sociedade brasileira tem alcançado importantes conquistas nas últimas décadas: a redemocratização, a estabilidade econômica, a redução das desigualdades sociais. A única forma de manter e aprofundar essas conquistas é avançar. Por isso estamos unindo forças para apresentar uma alternativa ao Brasil.

A convergência programática entre a Rede e o PSB, que será desdobrada num calendário apropriado para a produção de um programa a ser levado à população, é uma contribuição para superar velhos hábitos e vícios da política brasileira. Chegou a hora de combater claramente o atraso na política e colocá-la a serviço da sociedade. Chegou a hora de o Estado ser finalmente comandado pelo povo brasileiro.

O ato político de hoje é o início de um processo. A aliança entre PSB e Rede será construída de baixo para cima nas escolas, locais de trabalho, municípios, estados, no diálogo permanente e democrático com as organizações da sociedade.

Esse é o nosso compromisso.
 
Brasília, 5 de outubro de 2013
 
Rede Sustentabilidade
Partido Socialista Brasileiro