Destaques Publicado: 10/10/2013 | 11:03

Morto na ditadura será homenageado em Cabedelo/PB

A Câmara Municipal de Cabedelo irá realizar sessão solene em homenagem ao então estudante de medicina, João Roberto Borges de Souza, assassinado em 1969 durante a ditadura militar.



por Andressa Oliveira

A Câmara Municipal de Cabedelo, região metropolitana de João Pessoa, estado da Paraíba, em atenção ao requerimento 471/2013, de autoria da Vereadora Graça Rezende, irá realizar sessão solene em homenagem ao então estudante de medicina, João Roberto Borges de Souza, assassinado em 1969 durante a ditadura militar.

João Roberto Borges de Souza era irmão do diretor financeiro da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB) e presidente da Federação dos Trabalhadores em Serviços Públicos na Paraíba (FETASP/PB), Fernando Borges, que irá representar a família durante a homenagem.



A cerimônia está marcada para o próximo dia 15 de outubro na sede da Fundação Fortaleza de Santa Catarina, entidade que junto com a Associação Artístico Cultural de Cabedelo, promove o tributo.

No dia 10 de outubro de 1969, o corpo de João Roberto foi encontrado por dois moradores no açude Olho D'Água, na comunidade de Catolé do Rocha, onde se encontrava escondido na casa do pai de um amigo. Se estivesse vivo, João Roberto completaria 67 anos no próximo dia 14 de outubro.

Segundo Fernando Borges, a homenagem é uma forma de honrar a memória de Roberto. “Eu estou considerando o momento oportuno para que mesmo não conseguindo se recuperar uma vida perdida em nome de uma ideologia, por que ele lutava pelos menos favorecidos, pelos excluídos da sociedade, essa homenagem resgata a honra da família com a iniciativa da vereadora Graça Rezende”.

“Eu aproveito para lembrar os momentos finais da vida de meu irmão, quando eu me afastava da família para acompanhá-lo em dormidas incertas, na casa de amigos que o abrigavam. Mais de 400 desaparecidos políticos só na época de auge na ditadura, todos foram resultado de ações dos órgãos de repressão como o DOPS, o SNI e o CENIMAR que reprimia o norte e o nordeste brasileiro. Meu irmão foi morto por pertencer ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), além de ser um militante estudantil que lutou por seu povo”.

Histórico

João Roberto Borges de Souza, natural de Cabedelo, em 1968 era estudante do 3º ano de medicina, presidente do Diretório Acadêmico do curso na UFPB e vice-presidente da União Estadual dos Estudantes da Paraíba (UEEP). Foi um dos presos do Congresso da UNE que ocorreu em Ibiúna, São Paulo, em outubro de 1968, e preso novamente em dezembro daquele ano pela polícia federal.

Suspenso do curso de medicina por dois anos em fevereiro de 1969 por perseguição política do reitor da UFPB, João Roberto Borges deixou a Paraíba, em companhia da sua noiva, Socorro Fragoso, (hoje deputada federal Jô Morais pelo PCdoB de Minas Gerais) e foi para Recife, onde foi preso e torturado. Retornando à Paraíba, ficou pouco mais de quatro meses em João Pessoa, quando decidiu viajar para Catolé do Rocha e se preparar para entrar na clandestinidade. Duas semanas depois, foi encontrado morto.
 
SECOM/CSPB