Destaques Publicado: 8/10/2013 | 09:50

OIT: Representantes de 193 países debatem estratégias para erradicar trabalho infantil

A escolha da capital federal para sediar o encontro ocorreu em Haia, há três anos, devido o Brasil ter se tornado exemplo de combate ao trabalho infantil.



por Valmir Ribeiro

 

A III Conferência Global do Trabalho Infantil, promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), começa nesta terça-feira (08) em Brasília. A escolha da capital federal para sediar o encontro ocorreu em Haia, há três anos, devido o Brasil ter se tornado exemplo de combate ao trabalho infantil. A Conferência segue até o dia 10 de outubro.
 
Representantes de 193 países têm como objetivo avaliar os resultados obtidos pelos atuais mecanismos criados para proteção de crianças e adolescentes.  De acordo com dados da OIT, somente nos últimos três anos, meio milhão de crianças deixaram de trabalhar para ir à escola no Brasil. A Conferência em Brasília também busca partilhar as experiências entre os países das conquistas obtidas e as dificuldades que ainda persistem no combate ao trabalho infantil.
 
Os cinco países lusófonos africanos irão participar da conferência. Dentre eles o mais avançado em termos de proteção ao trabalho infantil, São Tomé, que, na região, possui o maior índice de crianças nas escolas. Já Guiné Bissau se encontra no extremo oposto diante da dificuldade de criar mecanismos que possam inibir o problema dos talibés, crianças que são retiradas dos pais sob o pretexto de irem estudar a religião mulçumana nas escolas corânicas, mas que , na verdade, são levadas para Dakar, capital do Senagal, onde são forçadas a mendigar.
 
Na República do Congo, existem crianças que são sequestradas para trabalhar em regiões agrícolas na exploração das minas em Angola. Na África francófona, inúmeras crianças ainda trabalham na cultura do cacao na região da Costa do Marfim.
 
Ainda existem, de acordo com a OIT, cerca de 168 milhões de crianças e adolescentes trabalhando em atividades arriscadas ou danosas para a saúde e para o desenvolvimento físico normal.  A entidade esperava erradicar o trabalho infantil até o ano de 2016, entretanto, apesar da significativa diminuição do trabalho infantil nos últimos três anos, a meta segue ambiciosa e requer novas estratégias para atingir seu objetivo.
 
A Diretora Adjunta de Assuntos das Mulheres, Infância e Juventude da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), Wânia Fantini, considera que o período em que está ocorrendo essa conferência em Brasília é muito oportuno devido à data comemorativa ao dia das crianças. O trabalho infantil precisa ser erradicado. Até mesmo no Brasil, país em houve que significativa redução desse problema nos últimos anos, ainda ocorre, com relativa frequência, e de forma desumana, muitas modalidades de exploração, sobretudo na prostituição infantil. A prostituição, além de ser uma agressão sexual, é, também, uma modalidade de trabalho escravo. É triste observar que, no Brasil, até mesmo os próprios pais, em casos que já foram relatados na imprensa, levam suas crianças a sofrer esse tipo de agressão a troco de dinheiro, caso semelhante também ocorre com o tráfico de drogas nas periferias brasileiras. Eu defendo que toda atitude que foi tomada e que conduziu a resultados positivos, precisa ser compartilhada com os demais países que sofrem com o mesmo problema. Não se pode naturalizar o trabalho infantil. Devemos criar políticas públicas que combatam de maneira cada vez mais rigorosa e eficaz essa modalidade tão prejudicial ao desenvolvimento de nossas crianças, disse.
 
Está prevista, nesta conferência, a criação do “Cartão Vermelho da OIT” contra todos que exploram o trabalho infantil.
 
 
Fonte: SECOM/CSPB com informações do Correio do Brasil