Destaques Publicado: 17/09/2013 | 13:30

REBRIP defende diálogo social na Cúpula do BRICS

O objetivo de consenso é no sentido de se abrir espaço nas discussões dos governos dos países para o diálogo com a sociedade.


 
por Geralda Fernandes
 
Coordenadas pela REBRIP - Rede Brasileira pela Integração dos Povos, entidades e instituições representativas dos movimentos sociais e sindicais discutem estratégias de mobilização para durante a sexta reunião da Cúpula do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, marcada para a segunda quinzena de março de 2014, em Fortaleza (CE). O objetivo de consenso é no sentido de se abrir espaço nas discussões dos governos dos países para o diálogo com a sociedade.
 
Em reunião realizada dia 12 de setembro, em Brasília, dirigentes das entidades filiadas e convidadas, a exemplo da CSPB, avaliaram a evolução do BRICS – cujos temas em debate ainda são predominantemente econômicos e financeiros –, a heterogeneidade dos países componentes e a importância e desafios de a reunião ser realizada no Brasil no próximo ano – ano de eleição, de copa do mundo e diante de um cenário de manifestações populares nos vários estados, com radicalização em Fortaleza, local do evento.
 
Uma das tarefas, segundo as entidades, será conscientizar a população sobre o que é o BRICS e os impactos de suas decisões na população. Segundo Adhemar Mineiro, da secretaria executiva da REBRIP, o debate foi positivo, com sugestões para que se possa trabalhar no sentido de popularizar o tema e definir estratégias de mobilização. “Vamos continuar o debate e ver o que conseguimos fazer. Existe a perspectiva de se conseguir um espaço para a participação do movimento social por conta do diálogo com o governo brasileiro, que é diferente nos outros países”, avaliou.
 
BRICS social - Depois da integração de um fórum acadêmico e do grupo empresarial, as entidades reivindicam que a sociedade também tenha um espaço para apresentar sua agenda. “Devemos buscar a integração das agendas pela construção do BRICS social, criando espaço para o diálogo dos governos com os povos, analisando os impactos das decisões e conhecendo os anseios dos movimentos sociais, incluindo aí as representações sindicais”, ressaltou o presidente da CSPB, João Domingos Gomes dos Santos.
 
O diretor do Departamento de Mecanismos Interegionais de Cooperação Internacional, do Ministério das Relações Exteriores, Flavio Soares Damico, acompanhou parte dos debates. Ele traçou um histórico do BRICS, desde sua criação e as características de cada uma das cinco reuniões anteriores – do estrito conceito de mercado, passando pelo novo contexto político, ampliação dos acordos, crescente cooperação entre diferentes áreas dos governos, governança internacional e a cooperação financeira.
 
Ele não descartou a possibilidade de que no encontro de março se possa dar um primeiro passo rumo a um BRICS com viés social. “Progressivamente, vêm se integrando outros segmentos da sociedade civil nas discussões. Primeiro, o fórum acadêmico; depois o fórum empresarial – segmentos que se reúnem às vésperas da reunião de cúpula. Ainda vamos aprovar o tema para o próximo encontro e penso em algo como crescimento inclusivo, com soluções ambientais”, ponderou Damico.
 
“O Brasil, como país anfitrião e por suas políticas de governo voltadas à participação social, tem melhores condições de colocar o tema na pauta”, avaliou Fátima Mello, do FASE - Solidariedade e Educação, organização não-governamental voltada para a promoção dos direitos humanos, da gestão democrática e da economia solidária.
 
Fórum dos trabalhadores - “Queremos que o BRICS não seja somente isso (estritamente econômico). Devemos buscar participação na cúpula com entrega de um documento com nossas posições. O BRICS sem participação social não vai mudar nada. Se tem participação dos empresários por que não dos trabalhadores?”, questionou Jocelio Drummond, secretário regional da ISP - Internacional de Serviços Públicos para as Américas.
 
A ISP, a CSPB e a Condsef realizaram, em agosto, a primeira etapa do Ciclo de Debates BRICS, com a participação de dirigentes sindicais do serviço público dos países membros. O encontro resultou em documento que propõe estabelecer, no âmbito da ISP, uma coordenação sindical de servidores públicos dos países para continuar o ciclo de debates e a promoção de ações em defesa de serviços públicos de qualidade e direitos sindicais nas diversas regiões do mundo.
 
A proposta inclui, ainda, a criação oficial de um espaço de participação dos trabalhadores na estrutura do BRICS, semelhante ao já existente com a participação dos empregadores; e promover atividades de intercâmbio bilateral entre os sindicatos do setor público dos países do BRICS, permitindo melhor conhecimento das diferentes realidades dos diversos países.
 
A Rede Brasileira Pela Integração dos Povos - REBRIP é uma articulação de ONGs, movimentos sociais, entidades sindicais e associações profissionais autônomas e pluralistas, que atuam sobre os processos de integração regional e comércio, comprometidas com a construção de uma sociedade democrática pautada em um desenvolvimento econômico, social, cultural, ético e ambientalmente sustentável. Se constitui como um pólo de articulação e divulgação de iniciativas sociais frente aos tratados de desregulamentação financeira e comercial.
 
Fotos: Julio Fernandes

SECOM/CSPB