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Publicado: 9/09/2013 | 11:16
Especialistas divergem sobre necessidade de reforma trabalhista
Liberalização do mercado de trabalho divide opiniões entre especialistas. Receituário do Fórum Econômico Mundial para “melhorar a competitividade do Brasil”, não encontra consenso.

por Valmir Ribeiro
Liberalização do mercado de trabalho divide opiniões entre especialistas. Receituário do Fórum Econômico Mundial para “melhorar a competitividade do Brasil”, não encontra consenso. Ações defendidas pelo Relatório de Competitividade Global de 2013-2014, que apontam para a necessidade do país flexibilizar salários e demissões, conquista adversários e apoiadores.
O economista sênior do Fórum Econômico Mundial, Benat Bilbao, em entrevista à Agência Brasil, defendeu que o Brasil reduza os encargos trabalhistas, facilite as demissões e torne os salários mais compatíveis com a produtividade do empregado. De acordo com Bilbao, à medida que os juros baixos e o alto preço de bens primários deixaram de impulsionar a economia doméstica, a reforma trabalhista se tornou um dos principais desafios que o Brasil precisa enfrentar.
Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), discorda da avaliação. Ele afirma que o relatório demonstra desconhecimento em relação à realidade brasileira e que o diagnóstico do Fórum Econômico Mundial está errado. O diretor do Dieese alega que “O mercado de trabalho brasileiro é flexível, com rotatividade média de 40% [40% dos trabalhadores trocam de emprego em um ano] e grande informalidade. Uma forma de melhorar a produtividade seria reduzir a informalidade e a rotatividade”, destacou.
Ganz Lúcio cita o país com a maior e mais diversificada economia entre europeus como exemplo de que a competitividade não depende da flexibilização das relações de trabalho. O economista do Dieese informa que, na Alemanha, existem dificuldades para demitir um empregado e os salários são cinco vezes maiores que no Brasil. “A Alemanha é um país com mercado interno forte, renda alta e que investe em inovação e tecnologia. Daí vem a produtividade deles, não da precarização do mercado de trabalho”, alegou.
O diretor do Dieese acredita que investir em educação, em tecnologia e melhorar a qualidade das instituições devem ser as frentes que o Brasil precisa atuar para aumentar a competitividade da economia. Ganz Lúcio informou que essas recomendações também estão incluídas no relatório do Fórum Econômico Mundial como sugestões para o desenvolvimento econômico brasileiro.
Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), especializado em mercado de trabalho, tem opinião diferente. Rodrigo acredita que, mesmo o Brasil que na atualidade vive uma condição de pleno emprego, uma reforma trabalhista seria necessária para dinamizar a economia do país. “Tanto o custo de admissão, como de treinamento e de demissão do empregado, é alto no Brasil. Isso limita a competitividade das empresas”, disse.
No entanto, o pesquisador da FGV alega que melhorar as instituições, investir em infraestrutura e remodelar o sistema tributário seriam medidas mais urgentes do que flexibilizar o sistema de trabalho. “Como a economia está em pleno emprego, qualquer reforma no mercado de trabalho agora enfrentaria grande resistência e o país deixaria de avançar em outros pontos necessários para aumentar a competitividade”, salientou.
O Fórum Econômico Mundial, fundado por executivos de empresas e acadêmicos, é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo debater os principais problemas do mundo e melhorar o ambiente de negócios. O Fórum organiza, todos os anos um encontro em Davos, nos Alpes Suíços, com empresários, líderes mundiais, jornalistas e intelectuais.
Fonte: SECOM/CSPB com informações da Agência Brasil
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