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Publicado: 6/08/2013 | 19:52
Victor Baez: Situação política e econômica na América Latina e os desafios sindicais
“Precisamos criar condição para que os trabalhadores de municípios menores possam ter os mesmos direitos que trabalhadores de municípios maiores”. O alerta foi dado pelo Secretário-geral da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas - CSA, Victor Baez, aos participantes do 2º Encontro Latinoamericano de Trabalhadores Municipais.

Por Geralda Fernandes/ Valmir Ribeiro
O Secretário-geral da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas - CSA, Victor Baez, também defendeu junto aos participantes do 2º Encontro Latinoamericano de Trabalhadores Municipais que é preciso construir alianças que respeitem as diferenças, mas que entrem em harmonia nas ações. “O movimento sindical precisa de crescimento e não podemos permitir ser sectários no movimento sindical. Precisamos de menos sindicatos, de mais trabalhadores filiados e de uma plataforma”.
Baez fez uma breve explanação sobre o que está acontecendo na América Latina, na Europa e também, na OIT – Organização Internacional do Trabalho. Segundo ele, a palavra de ordem de empresários para superação da crise econômica que atravessam os países europeus é que os trabalhadores precisam “flexibilizar”, disse, durante a palestra sobre “A situação política e econômica na América Latina e os desafios sindicais”.
“Com os trabalhadores na defensiva, certamente não permaneceríamos ilesos a essa crise prolongada”, disse. Segundo ele, ao identificarem as dificuldades econômicas, os países em crise começaram a criar alternativas com o objetivo de incentivar o investimento privado e aquecer a economia. “E o que aconteceu? Não houve investimento! E por que isso aconteceu se foram dadas todas as condições para a ampliação desses investimentos”?
O sindicalista vê no movimento sindical a vanguarda da luta por objetivos sociais, no entanto, no seu entendimento, a densidade sindical ainda é muito baixa e mal organizada. “E olha que, no Cone Sul, temos mais sindicalização que os países do norte do continente americano”, ressaltou. Baez defendeu que em vez de muitos sindicatos com muitos trabalhadores, melhor seria menos sindicatos com mais trabalhadores e, assim, aumentar o poder nas negociações
Victor Baez afirmou que os trabalhadores precisam ter consciência e lutar contra o poder hegemônico do capitalismo e do neoliberalismo mundial. Ele chamou a atenção para o caso da Alemanha e da Europa, onde, segundo ele, o plano de Ângela Merkel não sanou os piores efeitos da crise internacional. “O pacote de austeridade só sacrifica os trabalhadores. Há vários países que se adaptam ao movimento neoliberal de exclusão social, onde os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. O Panamá cresse a taxas de 10% ao ano e sua população não se beneficia desse crescimento”.
Inclusão social
Segundo o dirigente da CSA, alguns países na América Latina cresceram com inclusão social, citando o Brasil como exemplo; enquanto que alguns países da região com governos conservadores também cresceram, porém, com exclusão social. Baez citou o caso da economia do Panamá que cresceu em torno de 10%, mas não promoveu a inclusão social de seus habitantes e que o mesmo acorreu no Chile e no Paraguai. O argumento neoliberal é o de que temos que crescer para criar empregos. Discordo dessa perspectiva: não é o crescimento que gera emprego, é o emprego que gera crescimento.
Baez defende a adoção de um modelo de desenvolvimento econômico com inclusão social para criar um ambiente sustentável e que é preciso formar companheiros para os embates com os empresários na OIT. “Eles querem retirar direitos consagrados em mais de 90 anos. Nos documentos de formação da OIT, vocês vão ver que o objetivo da organização é fomentar o desenvolvimento social, com justiça distributiva, trabalho decente, digno e com liberdade sindical”.
O presidente da CSPB, João Domingos Gomes dos Santos, convidou Victor Baez a participar dos projetos de formação da CSPB. “Nossos debates têm nos levado à angustiante conclusão de que não há no movimento sindical um posicionamento de combate a esse capitalismo recrudescido. Hoje, passados muitos anos, o modelo capitalista está destruindo o tecido social. A Europa é uma demonstração clara desse projeto que exclui a maioria da sociedade. Temos que evoluir para o Estado Social e Democrático de Direito. No modelo atual, a educação, a saúde, o transporte e a segurança são meras mercadorias. O movimento sindical deve persistir na tentativa de humanizar o capitalismo ou combatê-lo”, concluiu.
Fotos: Julio Fernandes/ Lúcio Santos
SECOM/CSPB
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