Destaques Publicado: 17/07/2012 | 14:46

PROFESSORES REJEITAM PROPOSTA DE REAJUSTE SALARIAL

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) rejeitou proposta de 45% de reajuste, oferecida pelo Ministério do Planejamento na última sexta-feira, 13.



O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) rejeitou proposta de 45% de reajuste, oferecida pelo Ministério do Planejamento na última sexta-feira, 13. No total, as 59 Universidades Federais e Institutos de ensino completam dois meses de greve nesta terça-feira, 17, sem nenhum sinal de conciliação com o governo.

De acordo com o Sindicato, a orientação é de que os docentes não aceitem esse reajuste, pois o percentual não recompõe as perdas inflacionárias dos salários de grande parte da categoria, além de não atenderem as necessidades básicas dos servidores. Segundo a presidente do Andes, Marinalva Oliveira, essa proposta governamental beneficia apenas uma pequena parte da categoria, enquanto o restante perderia com esses reajustes.

“O percentual de aumento apresentado pelo governo leva em consideração o nosso salário de 2010 e o montante será distribuído nos próximos três anos. Considerando a inflação projetada pelo DIEESE, que seria 35%, algumas classes teriam até perda salarial. Esses 45% oferecidos são apenas para o conjunto dos professores titulares, o que representa apenas 5% da categoria nacional, ou seja, os 95% restantes ou terão reposição inflacionária ou terão perdas salariais”.

Uma das reivindicações da categoria seria a reestruturação da carreira. Hoje, para se chegar ao nível de professor titular é necessário percorrer os cargos de assistente, adjunto, associado e, por meio de concurso interno, chegar ao nível titular.

Marinalva Oliveira explicou que o governo promete apresentar critérios mais simplificados para que os professores consigam chegar ao nível titular, porém esses critérios não foram divulgados. “Para se chegar ao nível de professor titular, o governo pretende divulgar os critérios após 180 dias depois de o aumento entrar em vigor. Porém, nós não sabemos que critérios são esses ou como funcionarão. Seria como assinar um cheque em branco”.

Outro ponto discutido pelos servidores da educação seria as condições de trabalho dentro das Universidades. Os docentes apontam uma precarização na qualidade do ensino devido à falta de investimento na estrutura física dos centros. De acordo com a reivindicação dos professores, muitas vagas foram abertas sem que o número de laboratórios, bibliotecas e livros aumentassem.

Para a presidente, a situação se aprofundou após a abertura de vagas do chamado REUNI, um projeto governamental que tem como objetivo ampliar o acesso e a permanência de estudantes na educação superior. “Com a implantação do REUNI, a situação das universidades se complicou muito, pois os professores estão com sobrecarga de trabalho, sem condições de infra-estrutura, sem laboratórios, sem bibliotecas, ou seja, essa situação se intensificou por que o governo aumentou a entrada de alunos e de criação de novos cursos, mas isso não foi proporcional à criação de novas vagas para professores e nem para a revitalização de infra-estrutura”.

No decorrer da semana, serão realizadas reuniões entre os docentes para debater a proposta do governo. O resultado dessas assembleias será apresentado ao Ministério do Planejamento no dia 23 de julho.

Clique aqui para assistir ao depoimento da presidente do ANDES.

SECOM – CSPB
Colaboradora: Andressa Oliveira