Destaques Publicado: 9/02/2011 | 23:35

LULA CHAMA SINDICALISTAS DE OPORTUNISTAS POR REIVINDICAR MÍNIMO MAIOR

Presente ao Fórum Social Mundial, em Dacar, no Senegal, ex-presidente ataca "colegas" por pressionarem Dilma por reajuste acima dos R$ 545. NOVA CENTRAL contesta atitude de Lula.


Depois de 37 dias de silêncio sobre questões governamentais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o silêncio nesta segunda-feira, 7, em Dacar, no Senegal, para chamar os "colegas sindicalistas" de "oportunistas" por estarem pleiteando um salário mínimo superior aos R$ 545 oferecidos pelo governo.

O ex-presidente cobrou ainda que os sindicatos mantenham a palavra empenhada no acordo firmado na sua gestão, que prevê o reajuste do mínimo a partir da soma do índice de inflação anual e da variação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos dois anos anteriores.

As críticas foram feitas pouco antes de seu discurso como convidado do 11o Fórum Social Mundial (FSM), em Dacar, no Senegal.


OPORTUNISMO OU JUSTIÇA SOCIAL?  

O ex-presidente Lula, que já foi sindicalista e metalúrgico, e nestas duas últimas categorias marcou profundamente o movimento sindical brasileiro nas memoráveis greves contra o arrocho salarial, no ABC paulista, foi infeliz ao criticar as centrais sindicais, chamando-as de oportunistas por defenderem um salário mínimo de R$ 580,00. Depois anunciou que vai procurar os presidentes das centrais para ter uma conversa para convencê-los, pois, se diz “amigo” de todos eles.

 A Nova Central, ao contrário do ex-presidente Lula, participa e apóia as mobilizações das centrais sindicais pela valorização do salário mínimo, correção da tabela do imposto de renda e reajuste para os aposentados,  com a certeza de que se tratam de medidas fundamentais para minimizar a trágica realidade da distribuição de renda no País. Mesmo com os avanços obtidos nos últimos oito anos, com geração de empregos, crescimento econômico e adoção de políticas sociais compensatórias, o Brasil ainda continua sendo um dos países mais injustos do mundo.

A propaganda oficial do Governo, sobre a elevação do poder aquisitivo de muitas famílias e dos ganhos reais do salário mínimo, não consegue e nem pode esconder a realidade de um País no qual milhões de famílias ainda continuam sobrevivendo no limite da miséria absoluta. Inclusive a candidata oficial, eleita presidenta da República, fez do combate à miséria social a sua principal bandeira eleitoral.

Portanto, é dever e obrigação de todas as entidades sindicais terem como objetivo a luta contra a desigualdade social, num país onde a população mais abastada contribui com apenas 30% da arrecadação de impostos e 70% do que é arrecadado vem da taxação da produção e circulação de mercadorias, fazendo com que a população mais pobre, quando consome produtos e serviços, pague mais imposto proporcionalmente. Realidade agravada pelo fato de apenas 5 mil famílias, conforme demonstra o IPEA,  com patrimônio superior a R$ 1 trilhão, serem donas de 40% das riquezas nacionais.

Por outro lado, estudo da Fundação Getúlio Vargas apontou a expressiva mudança no panorama da redução da desigualdade social ocorrida no País, desde 2003, graças, sobretudo, ao aumento na renda do trabalho, cuja participação foi de 67%, ficando o Bolsa Família com 17% e os gastos previdenciários com 15.7%. Portanto, para alcançar a sua meta de acabar com a miséria no Brasil, resgatando dessa condição cerca de 40 milhões de brasileiros e brasileiras, ou algo em torno de 20% da população brasileira, o instrumento principal terá que ser a melhoria na renda de todos os trabalhadores e, nesse quesito, a recuperação do valor do salário mínimo é o caminho mais correto e adequado. Também contribuirá, de forma acentuada, uma mudança substancial na política tributária, taxando as grandes fortunas e aumentando o limite de correção da tabela do imposto de renda, para impedir que os ganhos obtidos com as negociações salariais sejam corroídos pelo Imposto de Renda na Fonte.

A Nova Central, por princípio e compromisso, independente de partidos, governos e patrões, mantém a sua disposição de luta e mobilização em defesa da classe trabalhadora. Considera que, em vez de oportunismo, as centrais sindicais defendem e querem justiça social. 

Fonte: O Estado de São Paulo e Portal da NCST com Sebastião Soares