CONFERÊNCIA DA CSPB DISCUTE PROCESSO DE UNIDADE SINDICAL DOS SERVIDORES
CSPB encerra a Primeira Conferência Internacional Sindical, evento reuniu mais de 400 lideranças sindicais em dois dias e justificou a força da entidade no cenário mundial.
A Iª Conferência Sindical Internacional, promovida pela Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, chega ao fim na tarde de hoje. O encontro reuniu mais de 400 lideranças sindicais do Brasil e do exterior. O painel – Reflexos do Processo de Unidade do Movimento Sindical Internacional na América Latina e no Brasil – fechou o ciclo de debates abordando o tema. O presidente da CSPB, João Domingos Gomes dos Santos, mediou os trabalhos, que contou com a participação neste bloco de Jocélio Drumonnd da Internacional dos Serviços Públicos (ISP), Valentim Pacho, da Federação Sindical Mundial (FSM) e Jorge Izquierdo da Central Latino Americana dos Trabalhadores em Serviços Públicos (CLATSEP).
Jocélio Drumonnd, secretário da ISP para as Américas, disse que já olhou o sindicalismo internacional com desconfiança, mas que a globalizaçao mudou as relações sociais e que os trabalhadores não têm como ficar isolados, pois os outros países também enfrentam problemas parecidos com os enfrentados no Brasil. Por isso, o líder sindical acredita na busca de uma união saudável entre as entidades como estratégia de luta. “Continuamos críticos ao movimento sindical internacional, mas abertos ao diálogo, pois temos muitas bandeiras em comum. Temos que superar o ranço, para pensar na unidade sindical e a CSPB está contribuindo para isto. Temos que respeitar o momento dos outros, que não pensam como nós”, afirmou.
Jorge Izquierdo, da CLATSEP, afirmou que é necessária a unidade dos trabalhadores, já que o processo burocrático de divisão dos trabalhadores está chegando ao fim. Enfatizou que é chegada a hora de sair às ruas e lutar contra os ataques e opressões aos trabalhadores. “Não podemos nos silenciar diante dos problemas enfrentados por todos os povos. Temos que reunir multidões contra os desmandos do estado”, sentenciou. Izquierdo disse que as dívidas internacionais já foram pagas, e que hora é de saldar as dividas sociais com a população mundial. Segundo ele, “não só os dirigentes sindicais, mas o movimento sindical também está em crise”.
Valentim Pacho, representante da FSM, ressaltou que o debate sobre a unidade sindical “pode até não ser uma questão fácil, mas que de qualquer forma desperta o interesse de todos os envolvidos”. Ele lembrou que os dados apontam que 80% dos trabalhadores não são sindicalizados e que ao se falar de unidade deve-se levar isto em consideração. E indagou: “como podemos ser representantes de uma maioria se a maioria está fora do sindicato? Devemos pensar por quais motivos estes trabalhadores não são sindicalizados”.
Segundo ele, a unidade continua sendo uma utopia, mas no dia de hoje este sonho começa a tornar-se realidade. “Estamos falando de unidade porque o movimento está dividido há muitos anos. Seremos capazes de enfrentar isso?”, questionou, lembrando que a falta de unidade também acontece entre os povos, coisa que parece impossível de ser solucionada a curto prazo.
Para João Domingos a unidade não é apenas um discurso, haja vista o esforço da CSPB na promoção deste evento. É preciso conceituar o que é unidade. Unidade virou um discurso genérico e ao se tornar genérico deixa espaço para que não se torne realidade. “A unidade para a CSPB é um valor e não se faz por decreto”, finalizou. João Domingos comemorou o resultado do evento transmitido ao vivo pelo Público e notório on line para vários países em espanhol e inglês. Até o meio da tarde de hoje o sítio havia sido acessado por mais de 140 mil pessoas em todo o mundo. O encerramento das atividades comemorativas aos 50 anos da CSPB será hoje à noite num encontro festivo.
CSPB/SECOM