1ª Conferência Sindical Internacional da CSPB reúne servidores de todos os continentes
A 1ª Conferência Sindical Internacional da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB tem início amanhã, dia 26, em Brasília. Dirigentes sindicais de todos os continentes vão discutir sobre organização sindical dos servidores públicos nos planos mundial, continental e regional;
A 1ª Conferência Sindical Internacional da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB tem início amanhã, dia 26, em Brasília. Dirigentes sindicais de todos os continentes vão discutir sobre organização sindical dos servidores públicos nos planos mundial, continental e regional; origem, desdobramentos e impactos da crise mundial na América Latina e no Brasil; e o processo de unificação do movimento sindical mundial e seus reflexos no Brasil e na América Latina. O evento acontece no Hotel Nacional e tem continuidade no dia 27.
“Nas últimas décadas, o mundo passou por mudanças paradigmáticas. Graves questões econômicas e sociais como o desemprego crônico, a miséria e o desrespeito aos direitos básicos de cidadania aprofundaram o fosso entre ricos e pobres, colocando na ordem do dia a necessidade de uma nova sociedade, mais justa, mais fraterna e mais social”, ressalta o presidente da CSPB, João Domingos Gomes dos Santos.
Paralelamente, acrescenta João Domingos, “a consciência política e a visão estratégica que vai amadurecendo nos trabalhadores dos setores públicos, organizados e representados pela Confederação, configuram uma força emergente na sociedade brasileira e uma saudável perspectiva de mudança no cenário nacional, com projeção latinoamericana. Construir um projeto alternativo ao fracasso neoliberalismo deve ser nosso objetivo maior”.
Cinquentenário
Nestes 50 anos de caminhada a CSPB tem atuado de forma coerente com os princípios que fundamentaram a sua criação. Portanto, o cinquentenário deve ser comemorado de forma muito especial. Para isso, a CSPB realizou concurso de monografias e para escolha do hino e da logomarca comemorativa, cujos vencedores serão premiados na solenidade festiva, dia 27.
As comemorações incluem, ainda, exposição de documentos e fotos relativos à história da Confederação, eventos culturais e lançamento do livro CSPB 50 Anos – Forte, Independente e Definitiva, no qual políticos, acadêmicos, servidores públicos, sindicalistas, ex- dirigentes e atuais membros da direção da entidade registram em artigos os principais acontecimentos relacionados aos servidores públicos nas últimas cinco décadas.
O artigo de abertura do livro é assinado pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O Presidente deseja “vida longa à CSPB” e lembra que “a luta dos funcionários públicos, fundamentais para a organização e o funcionamento do Estado e para a prestação de serviços essenciais à população, vem de longe, e a Confederação tem tido papel de destaque desde que a categoria começou a se mobilizar”.
Temas da Conferência
A Realidade dos Serviços e Servidores Públicos nos Planos Mundial, Continental e Regional é o tema de abertura do evento. A CSPB destaca que, no plano político-econômico, vive-se a fase do Estado máximo, presente em tudo, especialmente no plano das defesas, nos projetos de ataques estratégicos. No espaço interno de cada nação, o que há é a execução de políticas de redução do Estado nos investimentos sociais, com impactos perversos na qualidade dos serviços públicos e nas condições de trabalho dos servidores.
E a opção pelo mercado aprofunda a dívida social e desmantela o aparelho estatal, resultando em prejuízos para toda a sociedade. O setor público foi vítima das políticas neoliberais, com ênfase na privatização e terceirização, corte de direitos dos trabalhadores e redução do papel do Estado, situação agravada com a crise financeira.
“O sindicalismo no mundo passa por momento de renovação diante das novas demandas, como a globalização dos serviços e a luta por condições dignas de trabalho. É necessário que busquemos a forma eficaz para enfrentar os novos desafios apresentados pela mundialização da economia e garantir uma representação mais forte na defesa dos direitos dos servidores”, destaca o presidente da CSPB.
Os Impactos da Crise Mundial no Brasil e na América Latina é outro tema da Conferência. Com a derrocada do Consenso de Washington as estimativas são de que a crise estrutural do capitalismo, como sistema mundial, ainda se arrastará por alguns anos e que um novo consenso poderá ser construído nessa fase de transição. “Nós, trabalhadores dos setores público e privado, devemos ter consciência do que significa este momento e nos unirmos para interferir nas definições que vem a seguir. Hoje, a história nos chama para avançar com unidade e solidariedade, abrindo caminho para a justiça social”, alerta.
“Há 30 anos o capital decidiu por nós. Fomos expectadores da unidade no âmbito dos mercados e dos governos e isso causou três décadas de perdas para o movimento sindical que, na média mundial, tem lutado apenas para manter direitos. O mundo precisa de mudanças e é justamente no continente americano, mais especificamente na América Latina, que os povos, os governos e os sindicalistas estão na vanguarda, buscando afirmar um projeto alternativo ao neoliberalismo”, conclui João Domingos.
O terceiro tema a ser debatido trata dos Reflexos do Processo de Unidade do Movimento Sindical Internacional na América Latina e Brasil. João Domingos avalia que o processo de unidade iniciado com a fusão da Confederação Mundial do Trabalho - CMT e Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres - CIOSL na Confederação Sindical Internacional - CSI “trata de um movimento de dimensão histórica ainda não avaliada”.
Ele destaca que a CSI passou a orientar, em nível de comando, que o processo descesse para outras instâncias do movimento sindical. O primeiro reflexo dessa orientação se deu com a criação da Central de Servidores das Américas - CSA, resultado da fusão da Central Latino-Americana de Trabalhadores - CLAT com a Organização Internacional de Trabalhadores - ORIT. Com a CSA teve início a construção da unidade do movimento sindical das américas.
Segundo João Domingos, “a unidade sindical, tema de suma importância e que até recentemente estava ausente do debate da classe trabalhadora, pelo menos no seu sentido mais amplo, deve estar na ordem do dia das confederações, federações e sindicatos. Temos de trabalhar com base em duas perguntas: como consolidar o processo de unidade e, sobretudo, para quê? Temos de ter a concepção de que o processo é inexorável e temos de saber usá-lo para construir um contraponto ao novo processo ideológico para o trabalho no mundo”.
A Conferência será realizada em parceria com a Internacional de Serviços Públicos - ISP Brasil e conta com apoio das entidades internacionais Confederação Latino Americana de Trabalhadores Estatais - CLATE e Coordenadora Latino Americana dos Trabalhadores em Serviços Públicos -CLATSEP e das centrais Nova Central Sindical de Trabalhadores - NCST, União Geral dos Trabalhadores - UGT, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil - CGTB e Força Sindical.