Mais da metade dos brasileiros não querem saber de notícias

22/06/2022 | 07:59



No dia 15 de junho foi divulgado o Digital News Report 2022, um estudo que investiga o consumo de notícias ao redor do mundo. Essa é a 11ª edição do documento que analisa tendências em 46 países e aponta resultados de como as populações se relacionam com o conteúdo jornalístico. Um dos principais achados neste ano é que 38% da população mundial está evitando notícias e, no Brasil, esse percentual é ainda maior





por Liz Nóbrega


O número de pessoas que optam por evitar ou limitar a exposição às notícias no Brasil dobrou desde 2017 e 54% da população escolhe deliberadamente “às vezes” ou “muitas vezes” não consumir notícias. As razões para esse comportamento, de acordo com os entrevistados, variam entre a repetitividade na agenda de notícias ou o desgaste causado por elas. Há também uma questão emocional. Em todo o mundo 36% das pessoas disseram que as evitam porque o noticiário as desanimam.

Além disso, há uma parcela significativa, principalmente no Brasil, que limitam o consumo de conteúdo jornalístico porque é muito difícil de entender, tendência que se destaca principalmente entre jovens e pessoas com menos instrução.  15% dos jovens brasileiros alegaram isso. O relatório da Reuters aponta que “a mídia poderia fazer muito mais para simplificar a linguagem e explicar melhor ou contextualizar histórias complexas”.

A evasão de notícias é um dos motivos que explicam porque os níveis de consumo não aumentaram em nível global, mas não é o único. O nível de interesse no conteúdo jornalístico também diminuiu. No Brasil, por exemplo, o nível de interesse era de 82% em 2015 e chegou a 57% agora em 2022, uma queda significativa de 25 pontos percentuais, deixando o país com a queda mais expressiva neste indicador. 




“Embora uma sucessão de crises, incluindo a pandemia e a invasão da Ucrânia, demonstre a importância do jornalismo profissional independente e um crescimento significativo para algumas marcas de mídia individuais, descobrimos que muitas pessoas estão se tornando cada vez mais desconectadas das notícias – com queda no interesse em muitos países, aumento no percentual dos que evitam seletivamente as notícias e baixa confiança, reforçando ainda mais o desafio crítico que a mídia enfrenta hoje: conectar-se com pessoas que têm acesso a uma quantidade sem precedentes de conteúdo on-line e convencê-las de que vale a pena prestar atenção às notícias”, destaca o relatório.

Um terceiro fator se soma ao cenário: a baixa confiança na mídia. Os níveis de confiança tinham subido ligeiramente durante a pandemia, mas voltaram a cair neste último ano. No país, essa queda foi de 6 pontos percentuais, chegando a 48%, “em meio à antecipação de uma campanha presidencial altamente polarizada nas eleições de 2022”, acrescenta Rodrigo Carro, jornalista de Finanças e ex-bolsista do Reuters Institute for the Study of Journalism, que assina o capítulo brasileiro da publicação. Como resultado desse índice, o Brasil ocupa agora o 14º lugar entre os 46 países pesquisados em relação à confiança na mídia. 
 

Desinformação


Não há dados específicos sobre a percepção brasileira da desinformação online. No entanto, entre todos os países pesquisados, 54% da população diz se preocupar em identificar a diferença entre o que é real e falso na internet. “Além disso, as regiões com os mais altos níveis de preocupação – África e América Latina – correspondem de perto aos mais altos níveis de uso de notícias de mídia social. Isso não quer dizer que o uso de mídia social cause desinformação, mas que o uso pode gerar conscientização e exposição potencial a informações falsas, incluindo dar voz a perspectivas extremas que anteriormente não seriam amplamente ouvidas”, aponta o relatório.

No Brasil, o consumo de notícias por mídias sociais cresceu mais uma vez, enquanto o consumo através da televisão diminuiu e o via impresso se estabilizou em níveis baixos. 



Dentro das mídias sociais, pela primeira vez o YouTube despontou como principal meio para busca de notícias entre as plataformas e o TikTok se colocou como uma possibilidade, principalmente entre os jovens. Além disso, 46% dos entrevistados disseram compartilhar notícias online. 





Fonte: Definformante - Informação confiável sobre desinformação

 
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