Ao trocar ministro, Bolsonaro tenta ‘lavar as mãos’ sobre preços da Petrobras

12/05/2022 | 07:18



Federação dos petroleiros lembram população que não adianta trocar de ministro ou “fingir” que esbraveja pelos preços dos combustíveis, quando cabe somente a Bolsonaro mudar a atual política da estatal

 
Demissão de Bento Albuquerque é só mais um "bode expiatório" de Bolsonaro, que não tem coragem de mudar a política de preços da Petrobras - Foto: Marcos Corrêa/PR


por Tiago Pereira


A Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) reagiu com ceticismo à troca de comando no Ministério das Minas e Energia (MME). O presidente Jair Bolsonaro nomeou nesta quarta-feira (11) o economista Adolfo Sachsida como substituto do almirante Bento Albuquerque. Uma das razões para a mudança teria sido o recente aumento de 8,8% no preço do diesel nas refinarias da Petrobras. Para os petroleiros, no entanto, não adianta mudar o comando do ministério, se cabe somente a Bolsonaro alterar a atual “política perversa” que fez explodir os preços dos combustíveis no Brasil.

De acordo com o coordenador-geral da FUP-CUT, Deyvid Bacelar, Bolsonaro “finge” não ter responsabilidade sobre o aumento dos combustíveis. “Mais uma vez Bolsonaro continua buscando um bode expiatório para uma decisão que cabe somente a ele, que é mudar a perversa política de preços dos combustíveis”.

Em nota, a FUP destaca que a União é a acionista controladora da Petrobras. Nesse sentido, se o presidente quisesse, poderia determinar mudanças na política de Preço de Paridade de Importação (PPI). “O PPI não é lei; é decisão do Executivo”, destacou Bacelar.

A Petrobras passou a aplicar o PPI em outubro de 2016, ainda durante o governo Temer. Assim, a estatal passou a vincular os preços dos combustíveis produzidos no Brasil à variação do petróleo no mercado internacional, acrescidos dos custos de logística para importação que são inexistentes. Como resultado, somente de janeiro de 2019 para cá, a gasolina acumula alta 155,8% nas refinarias. O diesel subiu 165,6%, e o GLP aumentou 119,1%, com o preço médio do botijão de gás de cozinha acima de R$ 120,00.


Esbravejar não adianta


Na última quinta (5), Bolsonaro falou em “estupro” e “absurdo”, após a Petrobras anunciar lucro líquido de R$ 44,5 bilhões somente no primeiro. “Vocês não podem, ministro Bento Albuquerque e senhor José Mauro, da Petrobras, não podem aumentar o preço do diesel”. Mas se tratou apenas de jogo de cena. Cinco dias depois, a estatal anunciava o novo aumento do diesel.

“Se Bolsonaro está tão incomodado, porque ainda não anunciou um subsídio de estabilização usando os dividendos bilionários que o governo ganhou como acionista da Petrobrás no lucro recorde da companhia?”, questionou Bacelar.

A proposta para a criação de um fundo de estabilização já foi aprovada pelo Senado. No entanto, a tramitação do projeto não avança na Câmara dos Deputados, dado o desinteresse do atual governo. Trata-se de uma medida paliativa, que ainda recebeu críticas depois que o Senado retirou um imposto sobre exportação de petróleo bruto que serviria para abastecer o fundo.

Por outro lado, o governo não apresenta qualquer solução para conter, ou ao menos suavizar, a escalada dos preços dos combustíveis. Bolsonaro se limita a trocar o comando da Petrobras e do MME, enquanto o PPI continua funcionando sem grandes mudanças.

Enquanto isso, a escalada dos preços dos combustíveis vai se disseminando por toda a cadeia produtiva. “Em doze meses, a inflação bate 12,13% e o salário mínimo, na gestão Bolsonaro, continua sem aumento real. Já a Inflação, juros e desemprego, todos de dois dígitos, seguem em disparada”, criticou o coordenador-geral da FUP-CUT.



Fonte: Rede Brasil Atual - RBA

 
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