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CARTA DE RECIFE

4/07/2012 | 15:24




No período de 22 a 24 de maio de 2012 foi realizado o IX Encontro Federativo Interestadual Sindical – IX EFIS pela Federação Sindical dos Servidores dos Departamentos de Estradas de Rodagem do Brasil – Fasderbra, na cidade de Recife, em Pernambuco, ocasião em que contou com representantes do meio sindical nacional e estrangeiro, diretores e trabalhadores de órgãos rodoviários de quatorze estados brasileiros além de representante da Argentina.

Depois de debatidos assuntos de interesse nacional e rodoviário chegou-se ao consenso de que é imperiosa a ação dos governos federal e estaduais no sentido de valorizar os órgãos rodoviários federal e estaduais dotando-os de condições necessárias à manutenção, conservação e reconstrução de grande parte da extensa malha rodoviária do Brasil e que para isso, é necessária a adoção de medidas de fortalecimento e reestruturação dos DER’s do Brasil com novos equipamentos, com a realização de concursos públicos para admissão de novos servidores com salários justos e compatíveis com o mercado, a exemplo do que já está ocorrendo com o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte – DNIT.

Com o fortalecimento dos órgãos rodoviários, além de ser uma medida de minoração de custos para a sociedade, será um freio à imensa corrupção existente no País, grande parte devida à terceirização dos serviços públicos, especialmente os rodoviários, processo onde facilita à corrupção com financiamento de campanhas e enriquecimento desmedido das empresas terceirizadas, sem o devido comprometimento com a qualidade e a responsabilidade inerentes a serviços de tão grande relevância para a economia da nação brasileira. É notória a campanha difamatória dos servidores públicos nacional, promovida pelos meios de comunicação financiados pelos interessados, com o intuito fazer da opinião pública o objeto para a facilitação dos desmanches dos setores públicos, e, com isso, abrir caminho para a corrupção e desqualificação dos serviços públicos.

É tão grave a situação que urge a reação imediata do povo brasileiro contra tanta ganância desses elementos despatriados e antinacionalistas. A última investida está em tramitação na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul: o projeto de lei PL-90 que “Autoriza o Poder Público a criar a empresa pública denominada Empresa Gaúcha de Rodovias S.A. – EGR”. Esse PL-90 entrega a essa empresa todo o Sistema Rodoviário do Rio Grande do Sul, rodovias estaduais e federais delegadas, para exploração de pedágios públicos e comunitários, para praticar todos os atos necessários para administração das rodovias, planejar, executar, ampliar remodelar, operar, manter, realizar obras e projetos de engenharia nas rodovias sob a administração dela, além de ter autoridade para “desapropriar áreas necessárias para aumento (?) de rodovias sob sua administração” (grifo e interrogação nosso). Nota-se que até a redação é descuidada e redigida por equipe não técnica e desqualificada quando fala de “aumento de rodovias”. O que se quer dizer com aumento de rodovias? A sua capacidade, sua extensão ou o número de rodovias? Tudo porque o objetivo desse projeto de lei é claro e único: explorar e arrecadar pedágios nas rodovias construídas pelos órgãos rodoviários. Nós não podemos nos omitir quanto a esse novo achaque. O povo brasileiro e o meio político responsável e não comprometido com esses sanguessugas da nação têm que reagir.

Coerentemente com a proposta de proteger os interesses da nação brasileira, a combater a corrupção e o respeito que queremos restabelecer e fortalecer entre a sociedade e o meio sindical, a Fasderbra repudia veementemente a não prestação de contas em relação à contribuição sindical. Acredita ainda que somente criando mecanismos de fiscalização na utilização dos recursos possa ter suporte moral para representar os trabalhadores, representação esta custeada com um dia dos seus próprios salários.

A Fasderbra leva ao conhecimento da sociedade que defende a contribuição sindical e a unicidade sindical porque acredita que esses ingredientes são importantes para manutenção da defesa dos direitos do trabalhador e o financiamento da atividade sindical. E ainda, que somos favoráveis a criação de critérios de aferição da representatividade dos sindicatos, um mínimo de filiados em relação à base, expurgando-se assim os sindicatos cartoriais, oportunistas, que não representam o trabalhador, e que funcionam apenas como fachada.

Embora tenhamos elaborado inúmeras “cartas” (documentos), extraídas das discussões de nossos encontros e congressos, percebemos decepcionados e indignados, pela nenhuma repercussão que essas provocaram. É frustrante vê-las caírem no vazio. Não obstante, sermos uma Federação Sindical de Servidores dos DERs do Brasil, que vem lutando diuturnamente pela recuperação da rede rodoviária brasileira no que tange à sua conservação, manutenção e construção de novos estirões, também, como não poderia deixar de ser, exigimos uma melhor qualificação e ganho para o homem rodoviário, este, o grande guardião do maior patrimônio nacional construído pelas mãos dos operários, que é o complexo de estradas deste imenso país, que, por ser grande, merecia um sistema bem mais vasto. Temos abordado também, outros temas de interesse da nação como educação, saúde, moradia, emprego, dentre outros. Tudo poderia ser feito muito mais e bem melhor. Estamos presenciando, pela mídia, os assaltos aos cofres públicos, praticados por aqueles que deveriam ser os primeiros a cuidar da nação. Ficamos indignados com tamanha desfaçatez que vem sendo praticada pelos mandatários, políticos e empresários, estes, como prestadores de serviço. A impressão que nos dá é que existe uma enorme rede de bandidos a roubar o dinheiro nacional. Pobre grande país, pobre grande povo. Até quando veremos pelos jornais escritos, falados e televisados, as notícias mais sujas, de atos de corrupção praticados por esses lesa pátria? As crianças e adolescentes precisam de um futuro mais promissor: escolas, hospitais, creches, emprego e moradia entre muitas necessidades estão sendo subtraídas por esse desmando no setor público. Bandidos e criminosos da Nação cometem crime hediondo. Para tal a justiça teria de ser mais ágil no julgamento, a fim de serem sentenciados com a pena máxima. Quantos cidadãos não morrem por falta de hospitais, não morrem nas estradas pela má conservação, sinalização e por falta de educação? Quantas mulheres não têm creche para deixar os seus filhos na hora do trabalho, quanto desemprego, quantos desabitados e quantos deixam de estudar por falta de vagas nas escolas? Tudo isso poderia ser minimizado com mudança de rumo quanto à terceirização e a extirpação desse câncer que é a corrupção. A terceirização praticada pelos governos da União, dos Estados e dos Municípios é notório meio de corrupção.

Este grito está sufocado em nossas gargantas. Chega!

O povo brasileiro não agüenta mais. Algo terá que ser feito, para que o povo não faça justiça com as próprias mãos, encarcerando esses gangsteres.

A FASDERBRA e grande parte do povo brasileiro ainda crêem que esse nosso pobre rico país, tem solução. Mas até quando daremos esse crédito?

A sociedade e principalmente nosso meio político não corrompido precisa de ação, já!



Recife, 24 de maio de 2012.

José Alberto Coutinho Adolfo Garrido

Secretário Geral Presidente

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24 de Maio: Presidente CSPB convoca filiadas e cerrarem fileiras em defesa da imediata redemocratização do país. Segue a íntegra do pronunciamento: